Da advocacia à gastronomia: a trajetória de rupturas da chef Maísa Campos
Maísa Campos: da advocacia ao sucesso na gastronomia

Da advocacia à gastronomia: a trajetória de rupturas da chef Maísa Campos

A história de Maísa Campos é marcada por rupturas decisivas que a levaram de uma carreira tradicional no direito ao sucesso como empresária e chef de cozinha. Em entrevista ao podcast Baixada em Pauta, apresentado pelo jornalista Matheus Müller, ela compartilhou detalhes dessa jornada transformadora, abordando temas como empreendedorismo, superação pessoal e consciência social.

As origens familiares e a formação em direito

Criada em uma família diversa culturalmente – com mãe goiana, pai carioca e padrasto cearense – Maísa teve uma infância repleta de viagens pelo Brasil que ampliaram seu repertório gastronômico. "Eu conhecia o Sertão, ia ver boto cor-de-rosa no Aruanã. Tive uma infância com muita experiência regional brasileira e isso fez diferença na minha relação com a comida", relembra.

Apesar desse contato precoce com a culinária, a pressão familiar a levou a seguir os passos tradicionais. Filha de uma funcionária pública rígida, ela teve opções limitadas de cursos: Direito, Administração, Medicina, Engenharia ou Arquitetura. Escolheu o direito, área em que a família tinha tradição, e trabalhou em grandes empresas. "O direito com certeza me deu substrato para chegar até aqui", reconhece, destacando como essa formação ajudou a estruturar seu futuro negócio.

A virada: do reality show à decisão que abalou a família

Em 2013, Maísa participou e venceu o programa Cozinheiros em Ação no GNT, conquistando o título de "melhor cozinheira do Brasil" e um prêmio de R$ 10 mil. Durante as eliminatórias, ela fez um pacto consigo mesma: "Se eu ganhar, vou mudar de carreira". A vitória confirmou sua decisão, mas ao revelar para a mãe que seguiria a gastronomia, enfrentou resistência. "A decisão gerou ruptura na relação", conta, mas ela sustentou o desejo de transformar sua paixão em profissão.

A construção de uma carreira na gastronomia

Após o reality show, Maísa abriu uma escola de gastronomia para amadores e recebeu um conselho valioso do empresário István Wessel durante um almoço: "Não abra um restaurante imediatamente". Seguindo essa orientação, ela estudou na renomada Le Cordon Bleu em Paris, onde reforçou sua autoestima profissional. "Foi muito bom para minha autoestima. Eu sou uma chefe de cozinha formada, não uma advogada que cozinha", afirma.

Na Europa, conheceu modelos de negócios de comida pronta para consumo em casa, que inspiraram seu próximo passo. De volta ao Brasil, grávida do primeiro filho, decidiu não abrir um restaurante para manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Assim nasceu em 2016 a Casa 147 em Santos, um negócio inovador de comida fresca e congelada, feita com técnica de chef e processos rígidos, que o cliente finaliza em casa.

O modelo de negócio da Casa 147 e os desafios

A Casa 147 funciona como loja física, não como dark kitchen, unindo praticidade com qualidade de restaurante. O cliente recebe instruções detalhadas de aquecimento e finalização. "O diferencial está em unir a praticidade da comida pronta com a qualidade de restaurante", explica Maísa.

Nos primeiros anos, enfrentou preconceito por oferecer comida com instruções de preparo, mas sustentou o modelo. A virada veio durante a pandemia, quando a demanda por delivery explodiu. Nesse período, ela criou o projeto social Casa Solidária, distribuindo marmitas para pessoas em situação de vulnerabilidade, iniciativa que ganhou repercussão nacional.

Planos de expansão e legado

Hoje, Maísa planeja expandir a Casa 147 para outras cidades, considerando franquias e parcerias estratégicas, mas sempre mantendo a essência do negócio. "Até onde eu cresço sem violar as pilastras que estruturam a empresa?", questiona, demonstrando sua preocupação com qualidade e identidade.

Sua trajetória – da advocacia à gastronomia, do reality show ao empreendedorismo de impacto – serve como inspiração para quem busca novos caminhos profissionais. "Eu sou sim uma chefe de cozinha, não sou uma advogada cozinheira. Porque eu carreguei muito essa pecha e aquilo para mim foi necessário", finaliza, reafirmando sua identidade conquistada através de rupturas corajosas.