Manifestantes desafiam frio polar em protesto massivo contra operações do ICE em Nova York
Com a sensação térmica registrando impressionantes 14 graus negativos, milhares de pessoas se reuniram na Foley Square, em Nova York, para um protesto nacional contra as operações agressivas da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. O movimento, convocado por diversas organizações de defesa dos direitos dos imigrantes, surgiu como resposta direta às mortes de cidadãos norte-americanos durante ações do ICE em Minneapolis, gerando uma onda de indignação que se espalhou por todo o país.
Paralisação histórica inspirada em Minnesota
"Não podemos continuar nossas vidas como se nada tivesse acontecido", declarou uma das oradoras do protesto, utilizando um megafone para ser ouvida acima dos aplausos da multidão. "Como se pessoas não estivessem sendo assassinadas por protestar ou perseguidas por serem imigrantes. Não vamos permitir que isso aconteça. Vamos parar tudo", completou, ecoando o sentimento geral dos participantes.
A organização convocou uma paralisação abrangente do trabalho, das escolas e do comércio como forma de protesto contra as operações do ICE em diversas cidades norte-americanas. O foco especial recaiu sobre a gravidade da situação em Minneapolis, onde dois cidadãos norte-americanos foram mortos a tiros por agentes de imigração, desencadeando uma crise nacional.
"O chamado de Minnesota é claro", afirmaram as organizações de defesa dos imigrantes nas redes sociais. "Não pode haver negócios como de costume enquanto o ICE mata nossos vizinhos, sequestra nosso povo e aterroriza o país. Minnesota liderou o caminho na semana passada com uma greve geral massiva, reunindo mais de 100 mil pessoas. Agora é a nossa vez".
Preparações extraordinárias em condições extremas
O ponto de encontro escolhido foi estrategicamente localizado a poucos metros da Prefeitura de Nova York e da sede do ICE na cidade, simbolizando um confronto direto com as autoridades. Apesar das temperaturas glacialmente baixas, que normalmente manteriam as pessoas em ambientes fechados, os manifestantes demonstraram determinação incomum.
Com a cidade ainda coberta por uma espessa camada de neve após a tempestade do último fim de semana, dezenas de jovens nova-iorquinos realizaram um esforço comunitário notável. Eles levaram pás e outros utensílios para remover manualmente o gelo acumulado no local do protesto, trabalhando diligentemente para evitar possíveis quedas e acidentes entre os participantes.
Cartazes com mensagens contundentes e depoimentos emocionados
Os manifestantes ergueram cartazes com mensagens diretas e emocionais que refletiam a diversidade de preocupações:
- "Cortem o financiamento do ICE!"
- "Justiça por Alex Pretti" - referindo-se ao norte-americano morto no domingo por um agente de imigração
- "Protestar contra o ICE não é crime"
- "De Nova York a Minneapolis, todo o sistema é culpado"
- "Sua coragem é suficiente para derreter o ICE"
Entre a multidão, Jon, um nova-iorquino de 46 anos que preferiu não informar o sobrenome, compartilhou sua motivação pessoal: "Estou aqui hoje porque estou cansado de tudo isso. Quero que o ICE pare de matar pessoas. Também estou aqui em homenagem a Alex Pretti. Estou muito assustado com a situação que o povo de Minnesota está enfrentando".
Ele acrescentou uma crítica direta à administração federal: "As ações do governo de Donald Trump estão cada vez mais fora de controle. Ele está obcecado por essa perseguição aos imigrantes".
Consequências políticas e adesão empresarial
As mortes de Renee Good e Alex Pretti neste mês criaram uma pressão política significativa, levando o governo do presidente Donald Trump a afastar Gregory Bovino de Minneapolis. Bovino era apontado como "comandante-chefe" das operações da Agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras na região, sendo realocado para seu antigo posto em El Centro, na Califórnia.
Após semanas de retórica agressiva e confrontos violentos entre a polícia e manifestantes, Trump demonstrou nesta semana uma disposição inicial para aliviar as tensões em Minneapolis. No entanto, segundo relatos consistentes da imprensa local, não houve mudanças significativas ou concretas na situação da cidade, mantendo o clima de crise.
O aparente recuo governamental não foi suficiente para acalmar os ânimos ou tirar os manifestantes das ruas. Pelo contrário, o movimento ganhou apoio substancial do setor privado, com diversas empresas e pequenos negócios aderindo ao chamado de paralisação iniciado em Minneapolis.
Solidariedade empresarial além das divisões partidárias
Uma das empresas que se juntou publicamente ao protesto foi a Plusable, que atua na área de relações públicas no estado de Nova Jersey e é liderada pelos luso-americanos Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira.
Carlos Ferreira, sócio-fundador da empresa, explicou à Lusa a posição da organização: "A Plusable se solidariza com a greve de 30 de janeiro. Esta não é uma posição partidária — é um apelo humano e cívico, em um momento em que o clima de apreensão no país ultrapassa divisões políticas e está afetando o espírito americano, com impactos reais na segurança e na economia".
Ele concluiu com um apelo por mudanças substantivas: "Que este protesto sirva para estimular a reflexão e para que a administração atue com mais solidariedade, responsabilidade e senso de urgência".
O protesto em Nova York representa assim não apenas uma resposta imediata às tragédias em Minneapolis, mas também um movimento crescente que desafia as políticas de imigração em nível nacional, unindo cidadãos comuns, ativistas e até mesmo representantes do mundo empresarial em uma causa comum.