Professor da UFMG é alvo de investigação por supostas ofensas a cadeirante em Belo Horizonte
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) iniciou uma investigação administrativa rigorosa após receber uma denúncia grave envolvendo um de seus professores do departamento de engenharia. O docente é acusado de proferir ofensas e atos discriminatórios contra um homem cadeirante, identificado como Pedro, em um incidente ocorrido no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte.
Denúncia nas redes sociais expõe caso de discriminação
O caso veio à tona através de um relato publicado na rede social do restaurante Cozinha Santo Antônio. Segundo a publicação, Pedro, sua esposa e sua cuidadora estavam se dirigindo ao estabelecimento quando encontraram um veículo estacionado obstruindo completamente a rampa de acesso destinada a cadeirantes.
Ao abordarem o proprietário do carro, que estava em um bar próximo, ele teria removido o veículo, mas em seguida dirigiu comentários humilhantes e zombeteiros em relação à condição física de Pedro. "Tchau cadeirante! Espero que você ande muito por aí", teria dito o homem, identificado posteriormente como professor da UFMG.
Novas ofensas e registro policial
O episódio não terminou ali. De acordo com o relato, o mesmo indivíduo retornou ao restaurante durante a noite e, com um sorriso no rosto, aproximou-se da esposa de Pedro para proferir nova ofensa: "E aí ele voltou a andar?". Todo o ocorrido teria sido registrado por câmeras de segurança e presenciado por diversas testemunhas.
A família da vítima não ficou parada diante da agressão. Eles registraram um boletim de ocorrência em uma delegacia especializada, dando início ao processo legal para responsabilização dos atos discriminatórios sofridos.
Posicionamento institucional e apoio à vítima
Em comunicado oficial, a UFMG confirmou que recebeu a denúncia através de sua ouvidoria e garantiu que o caso seguirá a devida tramitação administrativa com total rigor na apuração dos fatos. A universidade destacou que observará todos os ritos processuais e adotará as providências cabíveis conforme determina a legislação vigente.
A Comissão Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/MG também se manifestou sobre o caso, emitindo uma nota de apoio à família do cadeirante. A comissão classificou o relato como uma "sucessão de violações que não podem ser naturalizadas", enumerando:
- Estacionamento irregular sobre faixa de pedestres
- Obstrução da rampa de acesso, equipamento essencial de acessibilidade
- Falas que banalizam e deslegitimam a condição física de uma pessoa com deficiência
A OAB/MG foi enfática ao afirmar que "não se trata de exagero, trata-se de direito", reforçando a importância da proteção legal das pessoas com deficiência contra qualquer forma de discriminação.
Professor também atua como consultor governamental
O docente envolvido no caso, que não teve sua identidade revelada publicamente, além de lecionar na UFMG, atua como consultor do governo de Minas Gerais. Esta dupla função pública amplia ainda mais a responsabilidade ética esperada de sua conduta, segundo especialistas em direito administrativo.
O incidente ocorrido em Belo Horizonte reacende o debate sobre acessibilidade urbana e o respeito aos direitos das pessoas com deficiência, evidenciando como atitudes discriminatórias ainda persistem no cotidiano das cidades brasileiras.