Família brasileira denuncia violência policial contra adolescente autista em Portugal
Brasileiros denunciam agressão policial a jovem autista em Portugal

Família brasileira relata abordagem violenta da polícia portuguesa contra adolescente autista

Uma família brasileira residente na cidade de Leiria, em Portugal, apresentou uma denúncia formal sobre violência policial sofrida por seu filho adolescente, diagnosticado com autismo severo e não verbal. Os pais anunciaram que irão protocolar uma queixa-crime contra os agentes envolvidos no episódio ocorrido na última sexta-feira, dia 20 de março.

Fuga escolar resulta em abordagem traumática

O incidente teve início quando Murilo, de 15 anos, fugiu da escola pública onde estuda e, movido por curiosidade característica de sua condição, entrou em um apartamento residencial. A polícia foi acionada pelos moradores, dando início a uma sequência de eventos que a família descreve como revoltante e desproporcional.

"Hoje, em Leiria, Portugal, meu filho fugiu da escola e, devido à sua condição, entrou na casa de um morador. A polícia foi chamada. O que aconteceu a seguir é revoltante: os agentes abordaram o meu filho Murilo com violência, como se ele fosse um criminoso", escreveu sua mãe, a cabeleireira Dira Thomasi, em publicação no Facebook que viralizou nas redes sociais.

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Estado de choque e ferimentos visíveis

Quando Dira foi contatada pelas autoridades e pela escola para comparecer ao local, por volta das 13 horas, encontrou o adolescente em estado de choque evidente, algemado na calçada da residência próxima ao Agrupamento de Escolas Marrazes. A cena descrita pela mãe é de extrema violência:

  • Murilo foi algemado e colocado no chão
  • Seu rosto foi pressionado contra o pavimento
  • Suas roupas apareciam rasgadas
  • Mais de seis policiais o imobilizavam simultaneamente
  • O adolescente gritava desesperadamente sem compreender a situação

"O Murilo é uma criança carinhosa, tranquila, muito boa e sem qualquer comportamento agressivo. Ele precisava de cuidado, atenção e compreensão — e recebeu agressão", completou Dira em sua emocionada declaração.

Laudo médico comprova lesões e situação de vulnerabilidade

A família compartilhou com veículos de imprensa um laudo médico que atesta as lesões sofridas pelo adolescente. O documento registra:

  1. Equimoses (hematomas) na face
  2. Lesões na região cervical
  3. Traumas no tornozelo direito

Além das lesões imediatas, a situação é agravada pelo histórico médico de Murilo. O adolescente já havia passado por uma cirurgia na coluna após fraturar vértebras e atualmente possui uma barra de titânio implantada nas costas, o que torna qualquer tipo de imobilização violenta particularmente perigosa para sua integridade física.

Versões conflitantes e busca por justiça

Enquanto a família relata que Murilo entrou na casa de um idoso de aproximadamente 80 anos sem intenção de causar danos, versões dos envolvidos apresentam divergências. O filho do proprietário afirmou que o adolescente deixou o local sem qualquer ferimento aparente, enquanto os policiais alegaram que o jovem já havia sido imobilizado por moradores quando chegaram ao local.

"Não posso ficar em silêncio. Exijo justiça para o meu filho. O caso já está com advogados", declarou Dira Thomasi, demonstrando determinação em buscar responsabilização pelos atos. A família brasileira promete seguir com todas as medidas legais disponíveis no sistema português para garantir que episódios similares não se repitam com outras pessoas neurodivergentes.

O caso tem gerado ampla repercussão nas comunidades brasileira e portuguesa, levantando questões importantes sobre o tratamento adequado de pessoas com autismo em situações de abordagem policial e a necessidade de protocolos específicos para lidar com indivíduos neurodivergentes.

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