Aluguéis residenciais registram alta expressiva de 9,44% em 2025, superando índices inflacionários
O mercado de locação residencial no Brasil encerrou o ano de 2025 com um crescimento significativo de 9,44% nos valores dos aluguéis, conforme dados divulgados pelo Índice FipeZAP de Locação. Esse avanço não apenas ultrapassou a inflação oficial medida pelo IPCA no período, mas também demonstrou a resiliência e o aquecimento da demanda por imóveis para moradia em diversas regiões do país, mesmo diante de um cenário econômico marcado por cautela.
Fatores que explicam a valorização dos aluguéis no último ano
De acordo com a análise do FipeZAP, a valorização dos aluguéis em 2025 foi um fenômeno disseminado, atingindo diferentes capitais e regiões metropolitanas brasileiras. O índice acumulado ficou acima tanto do IPCA quanto do IGP-M, este último historicamente utilizado como referência para reajustes contratuais. Esse comportamento pode ser atribuído a uma combinação de elementos estruturais que moldam o setor.
A oferta de imóveis disponíveis para locação não acompanhou o ritmo acelerado da demanda, criando um desequilíbrio no mercado. Paralelamente, uma parcela considerável da população optou por adiar a compra da casa própria, seja em função dos custos elevados associados ao financiamento imobiliário, seja pela busca por maior flexibilidade geográfica e financeira. Com isso, o mercado de aluguel manteve níveis elevados de ocupação, exercendo pressão ascendente sobre os preços praticados.
Imóvel se consolida como fonte de renda e atrai estratégias inovadoras de locação
Com a valorização consistente dos aluguéis, o imóvel ressurge como uma alternativa relevante para geração de renda. Para os proprietários, o cenário atual indica que imóveis bem localizados tendem a preservar não apenas a liquidez, mas também a capacidade de reajuste acima da inflação. Esse contexto favorável abre espaço para estratégias diversificadas de locação, que transcendem o contrato tradicional de longo prazo.
Em regiões com forte apelo turístico, especialmente no litoral brasileiro, o aluguel por temporada passou a ocupar um papel central na composição da renda imobiliária. Popularizado por plataformas digitais, esse modelo se tornou uma opção frequente, impulsionado pela demanda turística, feriados prolongados e a temporada de veraneio.
Crescimento do aluguel por temporada no litoral e suas implicações
O aluguel por temporada, previsto na Lei do Inquilinato com regras específicas quanto a prazo e finalidade, tem se mostrado particularmente vantajoso em áreas litorâneas. Casas e apartamentos próximos à praia costumam ser altamente disputados durante os períodos de alta temporada, quando os valores cobrados por diária podem, em poucos meses, superar a receita obtida com um aluguel tradicional ao longo de um ano inteiro.
Embora exija maior organização e gestão por parte do proprietário, incluindo gastos adicionais com limpeza, manutenção e, em muitos casos, a contratação de empresas especializadas, o modelo atrai aqueles interessados em maximizar o retorno sobre o investimento imobiliário. É fundamental, contudo, observar as regras de condomínios e legislações locais, que podem impor limites ou exigências específicas para esse tipo de locação.
Uso híbrido do imóvel ganha força como tendência do mercado
Segundo Thiago Zullo, empresário, incorporador e gestor com atuação no litoral paulista, além de sócio da Zullo Imóveis e da Angatu Incorporadora, o atual cenário favorece estratégias híbridas. Essas abordagens combinam o uso pessoal do imóvel com a locação em períodos específicos de alta demanda.
“Muitos proprietários utilizam a casa de praia para lazer e, nos períodos de maior procura, colocam o imóvel para aluguel por temporada. Em regiões com forte apelo turístico, essa receita auxilia a cobrir custos fixos, como manutenção e impostos, e, em alguns casos, ainda gera lucro adicional”, explica Zullo. Esse modelo tem se consolidado principalmente em praias com oferta limitada de imóveis e boa infraestrutura, onde a busca por hospedagem alternativa a hotéis é constante.
Perspectivas para o mercado de locação residencial nos próximos anos
A alta de 9,44% registrada em 2025 evidencia que a demanda por moradia continua robusta no Brasil. Simultaneamente, a crescente busca por experiências e estadias flexíveis reforça o crescimento do aluguel por temporada, especialmente em regiões turísticas. No litoral, onde a oferta de imóveis é naturalmente mais restrita e a procura por veraneio permanece elevada, esse cenário cria oportunidades significativas para proprietários que desejam extrair maior valor do seu patrimônio.
Seja por meio do aluguel tradicional ou de estratégias híbridas, o imóvel se consolida como um ativo relevante para geração de renda. Para aqueles que possuem propriedades em áreas litorâneas, a combinação entre uso próprio e locação em períodos estratégicos surge como uma alternativa cada vez mais considerada, capaz de equilibrar lazer, custos e retorno financeiro em um mercado que segue aquecido e dinâmico.