Imigrantes Haitianos Retidos em Viracopos por Documentação Irregular
Haitianos retidos em Viracopos por problemas de documentação

Imigrantes Haitianos Retidos em Viracopos por Problemas de Documentação

Um grupo de imigrantes haitianos está retido no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), desde a manhã de quinta-feira (12), devido a problemas de documentação. Os passageiros passaram a noite em cadeiras e colchões de uma sala reservada do terminal, e na manhã desta sexta-feira (13), continuavam no local à espera de iniciar o processo de admissão no Brasil.

Detalhes da Situação

Imagens recebidas pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostram o grupo acomodado na sala. Entre os retidos estão as enteadas de 8 e 15 anos de Louis Yinder, um haitiano que mora em Santa Catarina com a esposa, além da cunhada de 25 anos. Louis chegou ao terminal na manhã de quinta com a expectativa de levá-las para casa, mas enfrentou obstáculos.

"Tem duas filhas da minha esposa e a irmã dela está lá também. Chegou ontem, 9h. Eu cheguei 10h. Falaram que não ia dar para liberar. A Polícia Federal está segurando eles, mas não sei porque está segurando", comentou Louis. Segundo ele, as três possuem passaporte e visto válidos, e receberam alimentação, mas sem perspectiva de liberação, ele dormiu no saguão do aeroporto.

Investigação da Polícia Federal

Na manhã desta sexta-feira (13), a Polícia Federal confirmou que a companhia aérea responsável pelo voo fretado será investigada por contrabando de migrantes. O crime, previsto no Art. 232-A do Código Penal, envolve promover a entrada ilegal de estrangeiros com fins econômicos, com pena de 2 a 5 anos de reclusão.

Segundo a PF, foram identificados vistos humanitários falsificados em 113 dos 115 passageiros que desembarcaram. A medida administrativa de inadmissão foi aplicada, exigindo o reembarque dos haitianos e o retorno ao local de origem pela companhia aérea. No entanto, o grupo permanecia em uma sala restrita do terminal, aguardando regularização.

Posicionamento da Companhia Aérea

A Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa), responsável pelo voo, afirmou que os imigrantes buscavam solicitar refúgio ou proteção migratória no Brasil, e que todos estavam devidamente identificados com passaporte válido. A empresa repudiou a condução da operação pela PF, alegando violação de direitos humanos ao manter pessoas confinadas sem assistência adequada.

Contexto da Crise no Haiti

O Haiti enfrenta uma grave crise humanitária, com violência de gangues, instabilidade política e escassez de alimentos e medicamentos. O país não realiza eleições desde 2016, e a situação tem levado muitos a buscar refúgio em outros países, como o Brasil.

Reações e Assistência Jurídica

A organização Advogados Sem Fronteiras (ASF) informou que advogados de direitos humanos foram impedidos de acessar os imigrantes no aeroporto. A nota da ASF critica a modalidade de controle migratório que priva os indivíduos de proteção jurídica.

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos esclareceu que não tem competência sobre processos de controle migratório, atribuindo essas funções ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e ao Ministério das Relações Exteriores.

O g1 solicitou um posicionamento do Ministério das Relações Exteriores sobre o caso e aguarda resposta. Enquanto isso, os imigrantes haitianos continuam em situação de incerteza, destacando os desafios na gestão de fluxos migratórios e a necessidade de soluções humanitárias.