Haitianos Retidos em Viracopos: PF Investiga Companhia Aérea por Contrabando de Migrantes
Haitianos retidos em Viracopos: PF investiga companhia aérea

Haitianos Retidos em Aeroporto de Campinas Após Vistos Falsificados

Um voo fretado da companhia aérea Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa), transportando 118 imigrantes haitianos, foi retido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), devido a problemas de documentação. A empresa, fundada em Honduras em 2015 e operando com dois aviões Boeing 737-200, realizava seu primeiro fretamento de passageiros do Haiti para o Brasil, após operações anteriores de carga.

Investigação por Contrabando de Migrantes

A Polícia Federal confirmou na manhã de sexta-feira (13) que a Aviatsa será investigada por contrabando de migrantes, crime previsto no Artigo 232-A do Código Penal, com pena de 2 a 5 anos de reclusão. A PF alegou que foram identificados vistos humanitários falsificados entre os passageiros, levando à medida administrativa de inadmissão e reembarque.

Débora Pinter Moreira, representante jurídica da Aviatsa no Brasil, negou conhecimento de vistos falsos, afirmando que a companhia possui um rigoroso compliance. Ela destacou que todos os passageiros apresentaram passaportes válidos e compraram passagens, buscando pedido de refúgio ou proteção migratória no Brasil.

Situação dos Imigrantes e Apoio Humanitário

Até a última atualização, 97 haitianos permaneciam em uma sala do aeroporto, aguardando processo de admissão sem previsão de liberação. Agentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) chegaram para prestar apoio. Duas crianças, de 8 e 14 anos, foram liberadas com vistos regulares, junto com sua tia de 25 anos.

Em contraste, um novo voo com 160 haitianos, operado por outra companhia, desembarcou em Viracopos na mesma sexta-feira com documentação regular e todos foram liberados. A PF informou que o aeroporto recebe em média três voos fretados por semana do Haiti, com cerca de 600 pessoas.

Crise Humanitária no Haiti e Repercussões

O Haiti enfrenta uma grave crise humanitária, com violência de gangues, instabilidade política e escassez de alimentos e medicamentos, conforme a Organização das Nações Unidas. Imigrantes como Sadrack Joseph, de 34 anos, relataram desespero com a possibilidade de retornar ao país.

A Aviatsa emitiu nota repudiando a condução da operação pela PF, alegando que a confinação dos passageiros viola direitos humanos. A PF rebateu, afirmando que os imigrantes foram encaminhados para área adequada com acesso a instalações e alimentação, e que a empresa é responsável pelo retorno dos inadmitidos.

A investigação prossegue para apurar falsificação de documentos e organização do deslocamento irregular, com a Justiça Federal ouvindo um delegado da PF sobre o caso.