Haitianos retidos em Viracopos: crise migratória com vistos falsos em Campinas
Passadas mais de 40 horas da chegada de um voo fretado com haitianos a Campinas, no interior de São Paulo, 97 dos 118 imigrantes do país caribenho continuam retidos no Aeroporto Internacional de Viracopos. A situação ocorreu após a Polícia Federal (PF) identificar problemas graves na documentação apresentada pelos passageiros, incluindo vistos de reunião familiar considerados falsificados.
Detalhes da operação e retenção prolongada
O voo, operado pela companhia aérea Aviatsa, pousou em Viracopos na quinta-feira (12), transportando 120 passageiros, dos quais 118 foram impedidos de desembarcar inicialmente. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 113 dos imigrantes apresentaram vistos eletrônicos falsos, o que motivou a restrição de entrada e uma análise minuciosa da situação migratória de cada indivíduo.
Os imigrantes chegaram a ficar dez horas dentro da aeronave antes de serem transferidos para uma sala restrita no terminal, onde dormiram em cadeiras e colchões improvisados. Eles têm acesso a banheiros e refeições, mas a incerteza sobre seu destino persiste.
Crise humanitária no Haiti e medo de retorno
O Haiti enfrenta uma das crises humanitárias mais graves do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). O país sofre com violência de gangues, instabilidade política e escassez de alimentos e medicamentos, fatores que impulsionam o fluxo migratório. Muitos haitianos temem retornar a essa realidade, como relatou Sadrack Joseph, um imigrante que conseguiu entrada no Brasil e agora busca reconstruir a vida em Curitiba.
Investigações em andamento e papel da Justiça
A Polícia Federal abriu investigação para apurar possível esquema de imigração irregular e falsificação de documentos, com foco na companhia aérea Aviatsa por suspeita de contrabando de migrantes. Paralelamente, a Justiça Federal de Campinas determinou que um delegado da PF preste esclarecimentos sobre os procedimentos adotados na retenção, garantindo acesso de advogados aos imigrantes.
A Aviatsa, por sua vez, nega conhecimento de irregularidades e afirma que todos os passageiros estavam devidamente identificados com passaportes válidos, destacando seu rigoroso compliance.
Questões pendentes e impacto na saúde
Enquanto as investigações prosseguem, questões centrais permanecem sem resposta, incluindo a origem dos vistos falsos e a responsabilidade dos envolvidos no transporte. A situação já afetou a saúde de uma haitiana, que passou mal no aeroporto e foi resgatada pelo Samu, sendo levada ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti em Campinas.
O caso destaca os desafios do controle migratório no Brasil e a complexidade de lidar com fluxos de refugiados em meio a crises internacionais, mantendo a atenção sobre os direitos humanos e a legalidade dos processos.
