UGT defende fim da escala 6×1 e redução da jornada para 40h semanais
UGT defende fim da escala 6×1 e jornada de 40h

UGT defende fim da escala 6×1 e redução da jornada para 40h semanais

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, afirmou que o Brasil vive um momento maduro para aprovar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A declaração foi feita durante a discussão na comissão especial da Câmara dos Deputados, que deve receber o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos) nesta quarta-feira.

Patah, que representa cerca de 12 milhões de trabalhadores, principalmente dos setores de comércio e serviços, destacou que o tema deixou de ser apenas uma reivindicação sindical e passou a envolver qualidade de vida, saúde mental e inclusão social. Ele ressaltou que as transformações tecnológicas e as mudanças nas relações entre capital e trabalho impulsionam essa pauta.

Transição gradual de dois anos

A proposta defendida pela UGT prevê uma redução gradual da jornada semanal ao longo de dois anos, para minimizar impactos nas empresas. “Podemos fazer em dois anos, reduzir para que se chegue a essas 40 horas e as empresas vão se adaptar a esse formato”, afirmou Patah. Ele lembrou que esse é um debate histórico do movimento sindical brasileiro, que remonta às primeiras grandes greves do início do século passado.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na vida dos trabalhadores

No centro da discussão está o fim da escala 6×1, considerada por Patah um modelo desgastante, especialmente para trabalhadores das grandes cidades. Ele destacou a realidade de mulheres que enfrentam longos deslocamentos e acumulam tarefas domésticas. “A mulher que faz parte da área do comércio demora 1h30 para chegar no trabalho e 1h30 para voltar para casa. Chega em casa, vai trabalhar, tem um dia de folga para colocar a casa em ordem. Então não é vida”, afirmou.

Apoio às empresas

Patah reconheceu que a mudança exigirá adaptações econômicas, principalmente para micro e pequenas empresas. Ele defendeu mecanismos semelhantes aos utilizados durante a pandemia para apoiar setores mais vulneráveis, sem sufocar os negócios. “Nós queremos a empresa em pé”, disse, destacando que o objetivo não é fechar postos de trabalho.

Exceções setoriais

O presidente da UGT admitiu que alguns segmentos, como siderurgia, metalurgia e serviços essenciais, precisarão de tratamento diferenciado devido ao funcionamento contínuo. Ele defendeu que as negociações coletivas sejam o principal instrumento para definir adaptações específicas, mas ressaltou que as exceções não podem barrar uma mudança mais ampla na legislação trabalhista.

Momento político decisivo

Na avaliação de Patah, o momento político é crucial para a aprovação da pauta. Ele afirmou que o Congresso atual é muito conservador e que, se a proposta não passar agora, dificilmente teria espaço em um ambiente eleitoral futuro. “O Congresso que nós temos hoje é muito conservador, é muito da direita e, se não passar isso agora, no ano que vem, com qualquer que seja o presidente da república, a conversa não vai passar nunca mais”, finalizou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar