Pentágono investiga ataques a barcos no Caribe com mais de 190 mortos
Pentágono investiga ataques a barcos no Caribe

O órgão de fiscalização interna do Departamento de Defesa dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre os ataques do Comando Sul (Southcom) contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental. As operações visam supostos barcos ligados ao narcotráfico, mas já resultaram em mais de 190 mortos e 60 embarcações bombardeadas desde setembro do ano passado.

Investigação sobre procedimentos militares

De acordo com a CNN, a investigação vai verificar se os militares seguiram o Ciclo Conjunto de Seleção de Alvos, um procedimento de seis etapas que define diretrizes para a escolha e validação de alvos. Em carta enviada em 11 de maio ao general Joseph Donovan, chefe do Southcom, e ao subsecretário Bradley Hansell, o gabinete do inspetor-geral anunciou a apuração.

Um porta-voz do gabinete afirmou que o inquérito avaliará “o procedimento conjunto para embarcações alvo na área de responsabilidade do Comando Sul como parte da Operação Lança do Sul”. A operação foi lançada em setembro de 2025 e, desde então, tem sido alvo de críticas internacionais.

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Contexto dos ataques

A Operação Lança do Sul faz parte da política de “conflito aberto” contra o narcotráfico adotada pelo presidente Donald Trump. Sob sua administração, as forças americanas intensificaram os ataques contra supostos integrantes de cartéis, classificados como “narcoterroristas”. Embora a frequência dos bombardeios tenha diminuído após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, as ofensivas no mar continuam.

O último ataque ocorreu em 8 de maio, quando um barco com três pessoas foi atingido no Pacífico Oriental, resultando em duas mortes. Ao todo, mais de 190 pessoas morreram nos 60 bombardeios realizados até agora.

Críticas e controvérsias

A estratégia é criticada por lideranças latino-americanas, juristas, congressistas americanos e até advogados militares do Pentágono. Muitos argumentam que os ataques violam o direito internacional e que as mortes equivalem a execuções extrajudiciais. Segundo os críticos, Washington tem ignorado o devido processo legal e apresentado poucas evidências de que os alvos eram criminosos.

A investigação do órgão de fiscalização do Pentágono busca esclarecer se os militares seguiram os protocolos estabelecidos, em meio a pressões por transparência e responsabilidade.

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