Trabalhadores terceirizados da educação em Bujari ficam mais de dois meses sem salário
Trabalhadores terceirizados da educação sem salário no Acre

Trabalhadores terceirizados da educação em Bujari enfrentam atraso salarial de mais de dois meses

Um grupo de trabalhadores terceirizados que atua na educação pública no município de Bujari, localizado a aproximadamente 30 quilômetros da capital Rio Branco, no Acre, denunciou uma situação preocupante: ficaram mais de dois meses sem receber seus salários, com o atraso iniciando em novembro do ano passado.

Quem são os afetados e como confirmaram o problema

Os profissionais impactados incluem mediadores, motoristas, barqueiros e outros funcionários essenciais para o funcionamento das escolas na região. Após contato do g1 com as empresas envolvidas, um representante das prestadoras de serviço informou que o pagamento foi realizado na segunda-feira, dia 2 de fevereiro. Os próprios trabalhadores confirmaram na terça-feira, dia 3, que finalmente receberam os valores atrasados.

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes do Acre (SEE-AC) declarou que as empresas L.A. Soares e Suply Soluções em Tecnologia e Transporte LTDA apresentam documentação trabalhista regular, incluindo as devidas notas fiscais relacionadas ao pagamento dos funcionários.

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Relatos dos trabalhadores sobre dificuldades financeiras

De acordo com um funcionário que preferiu não se identificar, atrasos semelhantes ocorrem desde que ele foi contratado, há pouco mais de um ano. "Desde novembro que não recebemos salário e estamos desde o mês de outubro sem receber o vale-refeição. Fico olhando meus holerites, e percebi que a empresa também não tem pagado o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A situação é complicada", afirmou.

O profissional destacou que os atrasos causaram sérios transtornos às finanças de sua família, revelando que só não passou fome porque conseguiu realizar bicos extras. "Nós [trabalhadores terceirizados] estamos nos virando. Desde julho que fui transferido para buscar os alunos durante a noite, comecei a fazer uns bicos durante o dia, porque não é fácil. Às vezes meu filho pede uma coisa e a gente não tem de onde tirar", completou.

Explicação das empresas e negação de atrasos recorrentes

O representante das empresas, que também optou pelo anonimato, explicou que o atraso ocorreu devido ao fechamento do exercício financeiro no final de 2025. "Quando chega o final do ano, tem a questão das verbas, empenhos, por isso acaba demorando. Contudo, recebemos nessa segunda os lotes de novembro e dezembro, e já fizemos os pagamentos", declarou.

O gestor negou que os atrasos sejam recorrentes, afirmando que "temos todos os relatórios de pagamento regularizados".

Outros relatos e histórico de problemas similares

Outra servidora terceirizada, que também não quis se identificar, contou que precisou fazer bicos para se manter durante o período sem salário. "Nós recebemos por último no dia 20 de novembro. Durante esse período, eles só pagaram as duas parcelas do 13º, logo após o Natal. Aqui [em casa] está todo mundo assim, se virando", disse.

A servidora explicou que, em ocasiões anteriores de atrasos, os trabalhadores levaram o caso a público, o que resultava em pagamentos mais rápidos. "Quando íamos para a rádio, aparecia dinheiro rapidamente. Mas para a gente, diziam que não tinham como pagar e que deveríamos ter paciência, que eles pagariam", relembrou.

Posicionamento oficial da Secretaria de Educação

A Secretaria de Estado de Educação e Cultura emitiu uma nota detalhando a situação:

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  • As empresas responsáveis apresentam documentação trabalhista regular, conforme verificação da administração pública.
  • Caso haja acordos de sublocação de embarcações firmados diretamente entre particulares, não há participação da administração pública, tratando-se de relação privada.
  • Quanto aos pagamentos de dezembro, a nota fiscal não foi protocolada em tempo hábil pela empresa para inclusão na programação financeira do exercício.
  • Com a abertura do exercício financeiro de 2026, o pagamento será regularizado dentro dos trâmites administrativos.

A nota foi assinada por Reginaldo Luís Pereira Prates, Secretário de Estado de Educação e Cultura em exercício, em Rio Branco, Acre, no dia 2 de fevereiro de 2026.