Paralisação nacional atinge serviços de saúde no Espírito Santo
No Espírito Santo, a paralisação de trabalhadores de hospitais universitários, que ocorre em todo o país desde a última sexta-feira (27), está causando impactos significativos nos atendimentos do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), localizado em Vitória. Segundo informações dos grevistas, a interrupção das atividades afeta principalmente as áreas administrativas, as enfermarias e os procedimentos eletivos, incluindo exames, consultas e pequenas cirurgias que foram agendadas sem caráter de urgência.
Atendimentos essenciais permanecem funcionando
É importante destacar que os atendimentos de urgência e os setores considerados críticos, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), continuam sendo mantidos normalmente. Os servidores em greve afirmam que os pacientes que seriam afetados pela paralisação estão sendo avisados com antecedência sobre a necessidade de remarcar seus compromissos.
Motivações da greve e negociações salariais
A greve é motivada, de acordo com os trabalhadores, pelos salários defasados desde o último acordo coletivo, que é válido para os anos de 2023 e 2024. Os profissionais da saúde exigem uma recomposição salarial que supere a inflação e alegam que a HU Brasil, a estatal responsável pela administração dos hospitais universitários, não apresentou uma proposta considerada compatível com suas reivindicações.
O movimento é liderado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde, que representa uma ampla gama de profissionais, incluindo enfermeiros, técnicos, médicos e outros funcionários essenciais para o funcionamento dos hospitais.
Impactos quantitativos da paralisação
Não existe um número oficial de trabalhadores que aderiram à greve, mas a orientação do movimento é pela suspensão de 100% dos serviços administrativos. Nos atendimentos eletivos, a paralisação pode alcançar até 70%, embora a estimativa atual seja de aproximadamente 50% de adesão entre os profissionais. Em setores críticos, como as UTIs, a interrupção das atividades não chega a 10%.
Curiosamente, durante a tarde desta quarta-feira (1º), pacientes que foram ouvidos no Hucam não relataram falta de atendimento, sugerindo que os impactos podem variar ao longo do dia e conforme a adesão à greve.
Resposta da HU Brasil e medidas judiciais
Em nota oficial, a HU Brasil informou que continua em negociação com as entidades representativas dos trabalhadores e que já apresentou uma proposta econômica com o objetivo de avançar no acordo. A estatal também afirmou ter adotado medidas para assegurar a continuidade dos serviços essenciais.
Além disso, a empresa acionou o Tribunal Superior do Trabalho (TST) com um pedido de dissídio coletivo de greve, após a rejeição da proposta pela categoria. Segundo a HU Brasil, essa medida busca garantir o atendimento adequado à população.
O que é o dissídio coletivo de greve?
O dissídio coletivo de greve é um processo na Justiça do Trabalho que é acionado quando não há acordo entre trabalhadores e empregadores e a categoria decide entrar em greve. Nesse cenário, o tribunal passa a intermediar o conflito e pode definir regras e condições específicas para a paralisação.
O TST, por sua vez, determinou a manutenção de, no mínimo, 80% do efetivo de trabalhadores nas áreas assistenciais e administrativas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento dessa determinação.
Detalhes da proposta apresentada
Na última proposta apresentada pela HU Brasil, constavam os seguintes pontos:
- Reajuste de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período, aplicado à remuneração e a todos os benefícios, garantindo a recomposição integral da inflação;
- Abono das faltas decorrentes da greve;
- 14 cláusulas sociais a serem incorporadas às já existentes, com avanços em áreas como proteção às mulheres e à população LGBTQIAPN+, maior flexibilidade nos agendamentos e fruição de férias, entre outras.
A situação permanece em aberto, com negociações em andamento e a possibilidade de novos desenvolvimentos conforme as partes buscam um acordo que atenda tanto às demandas dos trabalhadores quanto às necessidades da população que depende dos serviços de saúde.



