Fim da escala 6×1 mobiliza Congresso e gera tensão entre trabalhadores e empresários
Fim da escala 6×1: Congresso prioriza, empresários temem custos

Fim da escala 6×1: Congresso prioriza pauta popular enquanto empresários temem impacto econômico

O debate sobre o fim da escala 6×1, atualmente a pauta mais popular no Congresso Nacional, promete esquentar os corredores políticos e as discussões econômicas do país. Uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest em dezembro do ano passado revelou que 72% dos brasileiros ouvidos defendem a extinção desse modelo de jornada de trabalho, que exige seis dias laborais seguidos por apenas um de descanso.

Pressão política e propostas em tramitação

No cenário político, a pressão por mudanças ganhou força significativa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua mensagem na abertura do Congresso, destacou o assunto como uma prioridade para o governo federal. Essa posição foi reforçada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que em discurso na tribuna defendeu a votação imediata de propostas relacionadas ao tema.

Parlamentares afirmam que pelo menos duas propostas de emenda à Constituição (PECs) estão prontas para análise:

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  • PEC 148/2015, do senador Paulo Paim, que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas de forma progressiva e, consequentemente, acabar com a escala 6×1.
  • PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, que avança ainda mais ao sugerir um modelo de quatro dias de trabalho e três de descanso, considerado mais ambicioso por especialistas.

Análise econômica e preocupações do setor empresarial

Para a economista Bruna Allemann, da Nomos, os números da pesquisa enviam um recado claro: “o brasileiro está dizendo que quer mais tempo de vida e serviços melhores, mesmo que isso exija rever regras do jogo”. No entanto, o coordenador de finanças do Insper, Ricardo Rocha, defende a necessidade de mais debates e estudos aprofundados para compreender o peso real que essa mudança teria na economia nacional.

Do lado empresarial, o alerta dobrou de tamanho. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio/SP) argumenta que quaisquer alterações devem ser negociadas por setor, evitando uma imposição generalizada por lei, que poderia gerar custos adicionais e desorganizar atividades essenciais.

Participantes de um encontro promovido pela federação no ano passado chamaram a atenção para um ponto sensível do debate: a produtividade. Eles destacam que é fundamental aumentar a produção no Brasil, pois reduzir a jornada sem elevar a eficiência operacional pode resultar em custos elevados para as empresas e, potencialmente, para a economia como um todo.

Desafio de transformar desejo social em transição viável

O grande desafio agora reside em transformar o desejo social por mais tempo livre em uma transição economicamente viável. Enquanto a população clama por melhor qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e lazer, o setor produtivo busca garantias de que as mudanças não comprometerão a competitividade e a geração de empós.

O programa Mercado, que vai discutir o assunto hoje a partir das 10h, promete trazer luz a essas complexidades, analisando os impactos potenciais tanto para os trabalhadores quanto para o mercado financeiro e a economia brasileira.

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