Desemprego no Brasil cai para 5,1% e fecha 2025 com menor média anual da história
Desemprego cai para 5,1% e bate recorde histórico em 2025

Desemprego no Brasil atinge menor patamar histórico em 2025

O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho notável no último trimestre de 2025, com a taxa de desemprego recuando para 5,1% no período encerrado em dezembro. Este resultado representa uma queda significativa em relação aos 5,6% registrados nos três meses até setembro, que servem como base de comparação. Com este desempenho, o indicador fechou a média anual de 2025 em 5,6%, marcando uma redução de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, quando a média foi de 6,6%.

Recordes históricos e contexto econômico

Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 estabeleceram novos patamares mínimos desde o início da série histórica em 2012, conforme dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estes resultados são ainda mais impressionantes considerando o cenário de juros elevados, que normalmente tendem a esfriar a atividade econômica como medida de controle inflacionário.

Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, explica que o efeito do aperto monetário não é uniforme entre todos os setores da economia. "O impacto dos juros vem sendo amortecido por fatores como o aumento da renda, que beneficia diretamente o consumo e, consequentemente, o mercado de trabalho", afirma a especialista.

Detalhes dos números do mercado de trabalho

Os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) revelam que:

  • O número de desempregados caiu para 5,5 milhões no trimestre até dezembro, o menor volume da série histórica
  • Esta redução representa uma queda de 9% em relação ao trimestre anterior (menos 542 mil pessoas)
  • O número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 103 milhões de pessoas
  • Houve alta de 0,6% frente ao período até setembro (mais 565 mil ocupados)

Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence, analisa: "O mercado de trabalho tem mostrado desaceleração alinhada ao pouso suave esperado para a economia. Vai crescer de maneira mais comedida e mais alinhada com a variação do PIB".

Rendimento atinge recorde histórico

Um dos aspectos mais positivos dos dados divulgados refere-se ao rendimento médio do trabalho, que alcançou R$ 3.613 por mês no trimestre até dezembro. Este valor representa o maior da série histórica em termos reais, já considerando o ajuste pela inflação. Comparativamente, houve altas de 2,4% frente ao trimestre até setembro (R$ 3.527) e de 5% ante o mesmo período de 2024 (R$ 3.440).

Setores que mais geraram empregos

O comércio liderou a abertura de vagas no último trimestre de 2025, com aumento de 299 mil ocupados em relação ao período encerrado em setembro. Segundo Adriana Beringuy, este crescimento foi influenciado pela demanda sazonal por mão de obra decorrente de eventos como a Black Friday.

O segundo maior aumento ocorreu no grupamento que inclui administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com acréscimo de 282 mil ocupados.

Fatores que explicam o desemprego baixo

Especialistas apontam várias razões para a manutenção do desemprego em patamares historicamente baixos:

  1. Crescimento econômico com estímulos ao consumo: A economia brasileira tem crescido nos últimos anos com políticas que favorecem o consumo das famílias
  2. Aumento da renda: Medidas como o reajuste do salário mínimo têm contribuído para elevar o poder de compra da população
  3. Mudanças demográficas: O envelhecimento da população reduz naturalmente a pressão sobre o mercado de trabalho
  4. Tecnologia e aplicativos: Estudo do FGV Ibre estima que atividades realizadas por meio de aplicativos reduzem o desemprego em aproximadamente 1 ponto percentual

Perspectivas para 2026

Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, projeta: "Acreditamos que a taxa de desemprego seguirá em níveis baixos para os padrões históricos ao longo de 2026, sustentada por um crescimento do PIB próximo ao que entendemos como potencial".

A Kínitro Capital também avalia positivamente o cenário, destacando que a Pnad mostra um mercado de trabalho ainda aquecido, com "forte alta dos rendimentos", mesmo com sinais de desaceleração na criação de vagas. A instituição ressalta que o reajuste do salário mínimo previsto para 2026 deve gerar novo incremento na renda dos trabalhadores.

Estes dados consolidam um ano de 2025 marcado por melhoras estruturais no mercado de trabalho brasileiro, com conquistas importantes tanto na redução do desemprego quanto na valorização dos rendimentos dos trabalhadores.