Mais de 90 funcionários demitidos após recuperação judicial de empresa em Minas Gerais
Demissões em massa após recuperação judicial em MG

Demissões em massa abalam trabalhadores após pedido de recuperação judicial em Minas Gerais

Mais de 90 funcionários foram demitidos do Grupo MGM, empresa especializada em portas, janelas e fechaduras, localizada em Monsenhor Paulo, Minas Gerais. As demissões ocorreram após a empresa entrar com um pedido de recuperação judicial, deixando ex-funcionários e o sindicato da categoria em alerta pelo não pagamento de salários e verbas rescisórias.

Situação financeira insustentável para famílias afetadas

A auxiliar de produção Vanessa dos Santos Gomes, mãe de dois filhos, é uma das demitidas e relata que a situação financeira ficou crítica. "Não tem vida porque a conta chegou. Estou devendo aluguel, passando necessidade. Tenho dois filhos. A gente levantava cedo, trabalhava com responsabilidade, e eles não tiveram compromisso com a gente", desabafou. Ela e outros colegas enfrentam dificuldades para cobrir despesas básicas após a empresa deixar de honrar seus compromissos.

Empresa confirma recuperação judicial e operações normais

O Grupo MGM confirmou o pedido de recuperação judicial, um mecanismo jurídico utilizado quando uma empresa reconhece dívidas que não consegue quitar imediatamente. Em nota, a empresa afirmou que as operações e o atendimento a clientes e fornecedores seguem "dentro da normalidade". No entanto, o valor total das pendências e a lista de credores não foram divulgados, pois o processo corre sob segredo de justiça.

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Demissões coletivas e salários não pagos

Segundo ex-funcionários, demitidos entre janeiro e fevereiro, os salários dos meses trabalhados em 2026 e as verbas rescisórias não foram pagos. Entre 18 e 20 de fevereiro, a empresa realizou uma demissão coletiva, afetando mais de 90 trabalhadores. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Monsenhor Paulo, Carlos Petroceli, afirma que a entidade solicitou informações oficiais à MGM, mas não obteve retorno. "Nós enviamos e-mails em janeiro e fevereiro, porque percebemos que se tratava de uma demissão em massa. Passados os dez dias legais para o acerto rescisório, vimos que ninguém tinha recebido nada", explicou Petroceli.

Ação civil coletiva e decisão judicial favorável aos trabalhadores

Diante da situação, o sindicato entrou com uma ação civil coletiva, pedindo tutela de urgência. A Justiça deferiu o pedido e, em decisão de 27 de fevereiro, determinou a anulação das demissões e a reintegração dos funcionários. O prazo para cumprimento venceu na semana passada, sob pena de multa, mas a empresa recorreu da decisão.

Negociações em andamento para pagamento de salários atrasados

O sindicato e o Grupo MGM marcaram uma reunião para esta quinta-feira (12), com interesse da entidade em negociar parte dos pagamentos fora da recuperação judicial, para tentar adiantar ao menos os salários atrasados. O advogado do sindicato, Pablo Vilani Vilela, afirma que o valor devido pode ultrapassar R$ 1 milhão, considerando salários e verbas rescisórias. "Estimamos mais de 96 trabalhadores afetados. Vamos tentar que a empresa pague imediatamente pelo menos os salários, e depois negociar as rescisões e benefícios, como plano de saúde e vale-alimentação, enquanto não recebem pelo plano da recuperação", explicou.

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