Em um cenário de profunda crise financeira, os Correios registraram uma adesão modesta ao seu Plano de Demissão Voluntária (PDV). Até o encerramento do prazo, na noite desta terça-feira (7), apenas 3.075 funcionários optaram pelo programa, número que representa pouco mais de 30% da meta inicialmente projetada pela estatal.
Meta distante e fim do prazo
A expectativa da empresa era que 10 mil empregados aderissem ao PDV em 2024, com mais 5 mil previstos para o próximo ano. No entanto, o saldo final, que será divulgado oficialmente nesta quarta-feira (8), ficou significativamente abaixo do esperado. Os Correios já informaram que não haverá nova prorrogação do prazo, que originalmente terminava em 31 de março.
Medidas complementares de reestruturação
Além do programa de demissões, a estatal destacou que tem implementado outras ações para tentar reequilibrar suas contas. No primeiro trimestre deste ano, foram iniciados processos de otimização de rotas logísticas e controle de produtividade. A empresa também negociou um acordo coletivo para 2025/2026 e começou a discutir novas opções de jornada de trabalho.
"Essas ações, aliadas à redução orgânica do quadro, asseguram o cumprimento integral das metas do Plano de Reestruturação", afirmaram os Correios em nota enviada à TV Globo.
Balanço dos primeiros 100 dias
O plano de reestruturação, apresentado em 29 de dezembro com o objetivo de tirar a empresa da crise financeira, completa agora 100 dias de implementação. Uma das frentes mais visíveis desse esforço é a venda de imóveis, que tem enfrentado dificuldades práticas.
Nos dois primeiros leilões realizados em fevereiro, dos 21 imóveis colocados à venda, apenas 4 foram arrematados. Até o momento, a estatal garantiu uma arrecadação de aproximadamente R$ 11,3 milhões com a venda de 11 propriedades.
Novas estratégias de venda
Para tentar acelerar o processo, os Correios preparam novos leilões para os dias 9 e 16 de abril, quando 42 imóveis estarão disponíveis para lances em todo o território nacional. Parte dessas propriedades será ofertada com deságio de até 25%, como estratégia de mercado para tornar as vendas mais atrativas.
"A iniciativa faz parte do plano de gestão de ativos da estatal, que busca dar uma destinação eficiente a imóveis que não são mais fundamentais para a operação logística", explicou a empresa.
Fechamento de unidades e crise financeira
Outra medida prevista no plano de reestruturação é o fechamento de 1.000 unidades até o final deste ano, incluindo agências, sem comprometer a universalização do serviço postal. Desde o início do processo, 127 unidades já foram encerradas.
A situação financeira dos Correios é alarmante. Em 2022, a empresa fechou as contas com mais de R$ 700 milhões em prejuízo. O rombo aumentou para R$ 2,5 bilhões em 2024 e, de janeiro a setembro do ano passado, as perdas acumuladas chegaram à impressionante marca de R$ 6 bilhões.
O desafio de recuperação financeira permanece enorme, com o PDV representando apenas uma parte de um conjunto mais amplo de medidas que a estatal tenta implementar em meio a um cenário econômico desafiador.



