Cesta básica em Araraquara exige 146 horas de trabalho em março
Cesta básica exige 146 horas de trabalho em Araraquara

O trabalhador de Araraquara precisou dedicar quase 18 dias de trabalho para garantir os itens da cesta básica em março. Segundo levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio, o custo médio chegou a R$ 1.075,82, um aumento de 1,92% em relação ao mês anterior. Isso equivale a cerca de 146 horas de trabalho para quem recebe salário mínimo.

Cenário nacional pressiona preços

O avanço dos preços não é isolado. Em março, o custo dos alimentos subiu em todas as 27 capitais brasileiras, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do DIEESE e Conab. As maiores altas foram em Manaus (+7,42%), Salvador (+7,15%) e Recife (+6,79%). Produtos como feijão, carne bovina e itens básicos lideraram as elevações, impactados por clima e redução da oferta.

Alta de 70,4% na cebola e 19,4% no feijão

Em Araraquara, o grupo de alimentação registrou alta de 2,29% em março, com aumento de R$ 19,83 no preço médio. A cebola disparou 70,4%, enquanto o feijão carioca subiu 19,4%. O queijo muçarela teve alta de 18,5%, influenciado pela redução da produção de leite no início do ano. O produtor rural Ricardo Junqueira explica que o ciclo produtivo do leite tende a aumentar entre outubro e fevereiro, com maior oferta e preços mais baixos, mas entre março e setembro os pastos secos elevam os custos.

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Café alivia o bolso

O café torrado e moído foi o item que mais contribuiu para aliviar o orçamento, com queda de preços devido à maior oferta do tipo robusta e à proximidade da colheita.

Feijão carioca atinge maior valor histórico

O feijão carioca de notas 9 ou superiores atingiu o maior valor da série histórica do Cepea/CNA, com alta acumulada de 48,3% no primeiro trimestre. A restrição de oferta, dificuldades na colheita e expectativa de menor produção nas próximas safras explicam o aumento.

A economista Maria Clara Kirsch, do Sincomercio Araraquara, destaca que o impacto vai além dos números: “O aumento de itens essenciais, como o feijão, tem relação direta com fatores estruturais, como clima, produção agrícola e oferta. O consumidor está cada vez mais exposto a variáveis que não controla, pressionando o orçamento mesmo com inflação geral estável.”

A auxiliar administrativa Ana Paula Souza, de 38 anos, sente a pressão no dia a dia: “Vamos ao mercado com a mesma lista, mas trazemos menos coisas. O feijão ficou bem mais caro, acabamos substituindo ou cortando itens.”

Apesar da variação acumulada em 12 meses ser praticamente estável (+0,01%), os preços internos mostram instabilidade, com altas expressivas em produtos essenciais e quedas pontuais. Atualmente, a cesta básica representa 66,4% do salário mínimo, evidenciando o peso da alimentação no orçamento familiar.

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