Liquidação da Will Bank: gatilho da Mastercard, pressão sobre FGC e prejuízo aos clientes
Will Bank liquidada: impacto no FGC e clientes após suspensão Mastercard

Will Bank é liquidada pelo Banco Central após suspensão da bandeira Mastercard

O Banco Central decretou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira, instituição controlada pelo Banco Master. A decisão foi tomada após a Mastercard suspender o uso de sua bandeira pela fintech devido a falta de pagamento, movimento que expôs as crescentes dificuldades financeiras da empresa.

O gatilho imediato: rompimento com a Mastercard

Segundo análise apresentada no programa Mercado da VEJA, com comentários do repórter de Economia Bruno Andrade, o fato decisivo foi a divulgação de que a Mastercard havia interrompido a parceria com a Will Financeira. Essa suspensão agravou significativamente a situação da empresa e levou o Banco Central a rever sua posição anterior, quando optou por não liquidar a fintech junto com o restante do grupo Master em novembro.

Por que a Will não foi liquidada anteriormente?

A Will Financeira era considerada a "joia da coroa" do grupo Master. No momento da liquidação do conglomerado, dados do Banco Central indicavam que a empresa apresentava resultados positivos, registrando lucro de aproximadamente 408 milhões de reais no terceiro trimestre de 2025. Essa performance sustentava a expectativa de venda da empresa para ajudar a reduzir o endividamento do Master, estimado em cerca de 56 bilhões de reais.

A deterioração financeira que levou à liquidação

Após novembro, a situação da Will Financeira mudou drasticamente:

  • A empresa enfrentou aumento do endividamento
  • Ocorreram atrasos em obrigações financeiras, especialmente com a Mastercard
  • O novo cenário levou o BC a concluir que a continuidade da instituição não era mais viável

Impacto direto sobre o Fundo Garantidor de Créditos

A liquidação da Will Financeira amplia consideravelmente a pressão sobre o FGC. Dados do último balanço indicam que a empresa possuía cerca de 6,5 bilhões de reais em depósitos à vista, valor que deverá ser coberto pelo fundo, dentro dos limites previstos pelas regras de garantia. Este montante representa um desafio adicional para o sistema de proteção aos depositantes.

Consequências para os clientes da fintech

Com a decretação da liquidação extrajudicial:

  1. A instituição deixa de operar normalmente
  2. Os mecanismos de proteção aos depositantes são imediatamente acionados
  3. O processo passa a ser conduzido sob supervisão do Banco Central
  4. O FGC assume a responsabilidade de assegurar a devolução dos valores garantidos aos clientes

A decisão do Banco Central marca o fim definitivo das operações da Will Financeira, que antes era vista como uma das unidades mais promissoras do grupo Master, mas que sucumbiu às crescentes dificuldades financeiras e ao rompimento com uma de suas principais parceiras comerciais.