Tim Cook encerra ciclo de 15 anos como CEO da Apple em setembro
Tim Cook anunciou que deixará o comando da Apple no dia 1º de setembro, marcando o fim de uma gestão de 15 anos à frente de uma das companhias mais valiosas do mundo. A empresa confirmou que Cook passará a ocupar a presidência executiva do conselho, enquanto John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumirá o cargo de CEO principal.
Transformação financeira e expansão global sob Cook
Quando Cook herdou a empresa em agosto de 2011, a Apple valia aproximadamente US$ 350 bilhões. Sob sua liderança, o valor de mercado multiplicou-se em mais de onze vezes, alcançando o patamar atual de US$ 4 trilhões. A receita anual quase quadruplicou, saltando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões em 2025.
Essa valorização foi sustentada pela expansão global do iPhone e pelo fortalecimento do ecossistema da marca. Cook ampliou o alcance de linhas consagradas, como iPhone, iPad e Mac, e lançou categorias de peso, incluindo Apple Watch e AirPods, consolidando uma rede de dispositivos e softwares interligados que fidelizou consumidores.
Diversificação e inovação estratégica
A diversificação do negócio foi um pilar central da era Cook. A Apple avançou fortemente em serviços, transformando áreas como Apple Music, Apple TV+, Apple Pay, iCloud e App Store em um segmento que hoje gera mais de US$ 100 bilhões em receita anual.
Além disso, a empresa aprofundou a verticalização tecnológica, com aquisições e investimentos que reduziram dependências externas, culminando na transição para chips próprios, o Apple Silicon, uma das apostas mais bem-sucedidas do período.
Impacto institucional e ambiental
Cook também deixou sua marca fora do balanço financeiro, ampliando a presença global da Apple para mais de 200 países e territórios e expandindo a base instalada ativa para mais de 2,5 bilhões de dispositivos. A empresa reforçou bandeiras institucionais como privacidade, acessibilidade e metas ambientais, reduzindo sua pegada de carbono em mais de 60% em relação aos níveis de 2015.
Desafios e limitações da gestão
No entanto, a gestão de Cook não ficou livre de tropeços. A Apple tem enfrentado críticas por avançar lentamente na corrida da inteligência artificial generativa e por atrasos na entrega de recursos prometidos para a Siri, alimentando a percepção de que Cook foi um gestor excepcional na execução, mas sem promover rupturas comparáveis à era do iPhone sob Steve Jobs.
Projetos como o Vision Pro, headset de realidade mista lançado por US$ 3.500, tiveram recepção morna, e o carro autônomo foi abandonado após consumir cerca de US$ 10 bilhões em investimentos. Mesmo lançamentos bem-sucedidos, como Apple Watch e AirPods, não foram vistos como inovações transformadoras do porte do iPhone.
A troca de comando marca o fim de uma era que transformou a Apple em uma máquina global de escala, rentabilidade e previsibilidade, deixando um legado financeiro impressionante, mas também desafios significativos para o futuro.



