Rolex: Como um relógio se tornou símbolo de status e colecionismo mundial
Rolex: a história do relógio que vale milhões

Rolex: Mais do que marcar horas, um símbolo de status e resistência

No início do século XX, a prática de usar relógios no pulso começou a ganhar espaço, oferecendo mais praticidade para quem precisava manter as mãos livres durante o trabalho. Foi nesse contexto que o aviador brasileiro Alberto Santos Dumont recebeu do relojoeiro francês Louis Cartier um exemplar que marcaria uma virada na história da relojoaria, rompendo com o costume masculino de carregar o acessório no bolso.

A fundação e a busca pela excelência

Em 1905, o alemão Hans Wilsdorf fundou em Londres a Wilsdorf & Davis, empresa dedicada à venda de relógios de pulso. Os mecanismos vinham de fabricantes suíços, como a Maison Aegler, sediada em Bienne. Com o tempo, Wilsdorf percebeu a importância de controlar toda a produção, adquirindo participações na fornecedora até que ela se tornasse a Manufacture des Montres Rolex S.A.

Em 1908, Wilsdorf batizou seu produto como Rolex, um nome curto e sonoro. Em 1919, devido aos altos impostos na Inglaterra, o empresário se estabeleceu na Suíça, iniciando um processo contínuo de expansão marcado por inovações técnicas que transformariam a marca em um ícone mundial.

Inovações que revolucionaram o mercado

A inventividade foi o motor do negócio desde o início. Em 1926, a Rolex lançou o modelo Oyster, o primeiro relógio resistente à água. Para testá-lo, convidou a nadadora britânica Mercedes Gleitze a usá-lo durante uma travessia do Canal da Mancha em 1927. Assim nascia não apenas a primeira embaixadora da marca, mas a ideia de que a peça poderia ser submetida aos limites da performance humana, tornando-se símbolo de resistência.

O relógio usado por Gleitze foi leiloado em novembro do ano passado por 10 milhões de reais. Um aparelho novo similar custa a partir de 52.000 reais, dependendo do material, mostrador, diâmetro da caixa e número de diamantes.

O fascínio dos colecionadores e celebridades

Os fãs da Rolex se espalham por diversas atividades. Para a arquiteta paulista Fernanda Marques, referência no mercado de luxo, a marca complementa seu apreço pela beleza. "A Rolex representa a relação entre rigor técnico, estética e longevidade. Uso o modelo Daytona de ouro amarelo e pulseira de couro, um acessório que tem estilo e durabilidade", afirma.

O médico Luís Eduardo Werneck, diretor do Grupo Oncológica do Brasil, tem uma coleção de sessenta exemplares amealhados em três décadas. Como cliente especial, ele tem direito a participar de experiências exclusivas, como visitar a fábrica na Suíça e eventos esportivos. "Tenho preferência para comprar, não entro em lista de espera", revela.

O modelo Cosmograph Daytona, criado em 1963 para o automobilismo, ganhou visibilidade quando a atriz Joanne Woodward presenteou o marido, Paul Newman, com um exemplar gravado com a declaração "Dirija com cuidado. Eu". Esse relógio foi arrematado em leilão por 100 milhões de reais em 2017.

Associação com o extraordinário e liderança de mercado

O fascínio que a Rolex exerce deriva em parte da associação de seus relógios a pessoas com atividades extraordinárias. "São quase intocáveis: presidentes, celebridades, atletas. Eles reforçam um poder que atravessou décadas. Esse luxo transcende a alta relojoaria, é um estilo de vida", diz Bernardo Britto, entusiasta do universo dos relógios de luxo.

Entre os clientes ilustres estão o presidente americano John F. Kennedy – que ganhou um exemplar da atriz Marilyn Monroe –, o jogador de futebol Lionel Messi, o tenista Roger Federer e o personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos.

Segundo relatório das consultorias Morgan Stanley e LuxeConsult, a Rolex alcançou mais de 30% de participação no varejo global de relógios de luxo suíços em 2023, superando concorrentes como Cartier, Omega, Audemars Piguet, Patek Philippe e Richard Mille.

O colecionismo e o apelo duradouro

Parte do sucesso da marca se deve ao colecionismo, que fomenta a busca por peças raras de sua história mais que centenária. Em tempos digitais, com telas modernas que monitoram frequência cardíaca e fazem pagamentos, a engenhoca que apenas mostra a hora e o dia se tornou um sinal de pertencimento a um clube exclusivo.

Desde sua fundação há quase 120 anos, a Rolex construiu uma marca que virou sinônimo de relógio, combinando qualidade, precisão, estética e desejo em produtos que chegam a valer milhões em leilões, consolidando-se como um ícone de luxo, resistência e status.