Economista alerta para riscos de inadimplência em microcréstimo do CadÚnico
O projeto-piloto de microcrédito voltado para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) foi oficialmente lançado nesta segunda-feira, dia 9 de fevereiro de 2026. A iniciativa, que tem como objetivo principal oferecer condições facilitadas de empréstimo para promover o empreendedorismo e a melhoria de vida, já desperta atenção especializada sobre seus potenciais riscos, principalmente no que diz respeito à inadimplência.
Conscientização financeira como pilar essencial
Em entrevista exclusiva ao programa Conexão Record News, o renomado economista Miguel Daoud destacou que o sucesso do programa depende fundamentalmente de um fator crucial: a capacidade da sociedade em aprender a lidar com o dinheiro de forma responsável. "Você pega o dinheiro, você vê as condições de que você está recebendo esse dinheiro, como é que você vai pagar, o que você tem que ganhar", explicou Daoud, enfatizando a necessidade de um planejamento estruturado.
O especialista argumentou que, sem um entendimento claro do custo do dinheiro e da realidade financeira dos beneficiários, o programa pode acabar tendo um efeito contrário ao desejado. "Se você não tiver um entendimento do custo do dinheiro com a realidade com o que você vai fazer, o que você vai ganhar, evidentemente que isso acaba tirando a capacidade dessa pessoa em ganhar dinheiro", alertou.
Detalhes operacionais do projeto-piloto
O programa será implementado inicialmente em três grandes capitais brasileiras, com previsão de duração de três meses para esta fase de testes. As cidades selecionadas são:
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Belo Horizonte
Nas agências da Caixa Econômica Federal dessas localidades, as famílias cadastradas no CadÚnico poderão acessar empréstimos com as seguintes características:
- Valores que variam de R$ 500 a R$ 21 mil
- Taxas de juros reduzidas em comparação com o mercado convencional
- Prazos de pagamento flexíveis, entre quatro e doze meses
- Garantia do Fundo Garantidor de Operações
- Isenção total do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
O desafio da educação financeira
Miguel Daoud foi enfático ao destacar que muitos brasileiros, quando recebem recursos financeiros, tendem a pensar primeiro em gastar, em vez de investir. "Muitos brasileiros, muitos de nós, tem o dinheiro para gastar. Você dá o dinheiro, ele fala, bom, isso aqui eu vou gastar", ponderou o economista.
Segundo sua análise, é fundamental que os beneficiários compreendam que se trata de um empréstimo com finalidade específica de melhorar suas condições de vida. "Você tem que fazer com que eles entendam que esse é um empréstimo que ele tem para melhorar de vida. Essa é a finalidade desse programa", argumentou Daoud, reforçando a importância de campanhas educativas paralelas.
O especialista concluiu que, sem um trabalho consistente de conscientização sobre o uso responsável do crédito, o programa pode enfrentar sérios problemas de inadimplência, comprometendo seus objetivos sociais e financeiros a longo prazo.



