O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas alcançou um novo recorde em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O indicador atingiu 29,7%, uma alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Esse é o maior nível registrado na série histórica iniciada em 2005, há 21 anos.
Detalhamento dos dados
O Banco Central considera o saldo total de dívidas das famílias em relação à sua renda mensal atual. Excluindo os financiamentos imobiliários, o percentual cai para 27,4%, também com alta de 0,2 ponto percentual. Segundo Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do BC, o comprometimento da renda manteve trajetória de crescimento, com aumento de 1,9 ponto percentual nos últimos 12 meses, sendo o maior percentual da série histórica.
Endividamento em 12 meses
Outro indicador calculado pelo BC é o nível de endividamento das famílias em relação à renda disponível nos 12 meses anteriores ao período de referência. Esse índice chegou a 49,9%, igualando o recorde observado em julho de 2022. A alta mensal foi de 0,1 ponto percentual. Sem os financiamentos imobiliários, o endividamento ficou em 31,4% em fevereiro, também com alta de 0,1 ponto percentual. Rocha destacou que houve uma tendência de crescimento que culminou em julho de 2022, seguida de redução e nova alta nos últimos meses, repetindo o percentual de 49,9% em fevereiro de 2026.
Juros do cartão de crédito
O juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu de 435,9% em fevereiro para 428,3% em março, conforme o relatório do BC. A concessão de crédito nessa modalidade somou 109,7 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Composição do pagamento
Cerca de 10,6% da renda das famílias é destinada exclusivamente ao pagamento de juros das dívidas, enquanto 19% vai para o pagamento do valor principal. Diante desse cenário, o governo federal acendeu um alerta vermelho e prepara um pacote de alívio para as famílias endividadas. O presidente Lula espera, com essa medida, recuperar parte de sua popularidade em ano eleitoral.



