Motorola intensifica estratégia no segmento ultrapremium brasileiro
Nos últimos anos, a Motorola realizou uma transformação profunda em sua estratégia global, recuperando espaço no competitivo mercado de smartphones. No Brasil, esse movimento foi particularmente expressivo, com a empresa triplicando sua participação de mercado e agora se preparando para desafiar as gigantes Apple e Samsung no segmento ultrapremium.
Retorno ao segmento de alto luxo
Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola no Brasil, explica que após consolidar forte presença na faixa intermediária de preços e liderar no segmento de dispositivos dobráveis, a empresa identificou uma oportunidade no mercado ultrapremium. "Faltava no mercado um produto barra, que é o formato mais vendido, com uma proposta de valor competitiva e forte em qualidade e diferenciação", afirma Vidigal.
A empresa lançou recentemente o Motorola Signature e o Razr Fold, este último apresentado em Barcelona com a promessa de oferecer a melhor câmera do mundo em formato dobrável. "A gente sabe que hoje no mercado quem utiliza um produto Fold está muito insatisfeito com câmera e com bateria", complementa o executivo.
Superando o 'custo Brasil'
Um dos maiores desafios enfrentados pela Motorola no Brasil é a conhecida carga tributária e as ineficiências logísticas que compõem o chamado 'custo Brasil'. Vidigal revela que o mesmo produto fabricado no Brasil pode custar 15% a 20% mais caro que na China.
Apesar disso, a empresa mantém fábricas em Jaguariúna e Manaus, apostando na produção local para atender o quarto maior mercado de smartphones do mundo. "Nosso foco é atender localmente com competitividade", destaca o CEO.
Exportação de tecnologia em vez de produtos
Embora enfrente dificuldades para exportar produtos físicos devido aos custos competitivos da China, a Motorola exporta tecnologia desenvolvida no Brasil. A empresa conta com mais de 1.200 engenheiros e já investiu aproximadamente 3 bilhões de reais em Pesquisa e Desenvolvimento nos últimos dez anos.
"O que é desenvolvido aqui é usado globalmente", afirma Vidigal, destacando que a inovação brasileira tem impacto internacional através do grupo Lenovo, do qual a Motorola faz parte.
Estratégia Lifestyle Tech
Para competir com iPhone e Samsung no segmento ultrapremium, a Motorola adota a estratégia Lifestyle Tech, que une tecnologia de ponta com moda, design e estilo. A empresa já realizou colaborações bem-sucedidas com marcas como Swarovski e a FIFA.
"Apostamos que estética, resistência e exclusividade são diferenciais que o consumidor valoriza", explica Vidigal. "O brasileiro é exigente e gosta de produtos que expressem personalidade. É nesse espaço que a Motorola quer se destacar."
Futuro dos smartphones dobráveis
O executivo acredita que o futuro dos smartphones está nos dispositivos dobráveis, tecnologia que a Motorola domina com telas resistentes que podem ser dobradas centenas de vezes por dia sem perder qualidade. Além dos celulares, essa tecnologia se expande para notebooks e wearables.
"Já mostramos protótipos de notebooks totalmente em tela, que podem se transformar em dispositivos versáteis", revela Vidigal. "Essa tecnologia abre um novo capítulo para o setor."
O consumidor brasileiro ultrapremium
Segundo o CEO, o consumidor brasileiro do segmento ultrapremium busca um conjunto completo de atributos: design, leveza, durabilidade, melhor câmera, desempenho e estilo. A Motorola responde a essa demanda com acabamentos diferenciados, incluindo couro vegano, seda, madeira e colaborações exclusivas.
"Nosso objetivo é entregar um conjunto completo, que una performance e estética, e que faça o consumidor sentir orgulho de ter um Motorola", finaliza Rodrigo Vidigal, traçando o caminho da empresa para consolidar sua posição no competitivo mercado brasileiro de smartphones de luxo.



