Empresas precisam retomar investimento em liderança feminina para superar barreiras culturais
A presença feminina no mercado de trabalho registrou avanços significativos nas últimas décadas, porém a conquista de posições de liderança continua enfrentando obstáculos culturais e comportamentais profundamente enraizados. A jornalista Maria Priscila Nabozni, fundadora da agência MAPA 360, analisa essas barreiras e aponta caminhos para transformação real nas organizações.
Dinâmica entre mulheres no ambiente profissional
Para Nabozni, um dos desafios fundamentais está na própria interação entre mulheres dentro das empresas. "Quando uma mulher cresce, ela abre caminho para outras. Esse deveria ser o raciocínio mais comum dentro das empresas", afirma a especialista, destacando a importância da solidariedade feminina para romper tetos de vidro.
Empreendedorismo como alternativa estratégica
Na avaliação da fundadora da MAPA 360, o empreendedorismo frequentemente surge como uma alternativa mais rápida e eficaz para a ascensão feminina do que o tradicional mundo corporativo. Ela cita seu próprio caso como exemplo: na sua agência, aproximadamente 68% da equipe é composta por mulheres, e 64% dos cargos de liderança também estão ocupados por profissionais do sexo feminino.
"Esse tipo de ambiente demonstra que a mudança acontece quando a cultura organizacional é construída de forma consciente e intencional", explica Nabozni, enfatizando que números expressivos não surgem por acaso, mas através de políticas deliberadas.
Disparidades setoriais na representação feminina
Os dados revelam variações significativas entre diferentes segmentos da economia. Enquanto áreas de serviços já apresentam cerca de 56% de liderança feminina, setores como indústria e agronegócio ainda registram participação muito menor de mulheres em posições de comando.
Priscila critica empresas que defendem a diversidade apenas no discurso, sem implementar mudanças concretas. "Não adianta falar de inclusão se toda a liderança continua sendo masculina. O exemplo precisa vir de cima, com compromisso real dos gestores", argumenta a especialista.
Movimento positivo e desafios persistentes
Apesar dos obstáculos, a fundadora da MAPA 360 observa um movimento positivo em curso. Cada vez mais mulheres estão investindo em formação acadêmica, estratégias de carreira e ferramentas como personal branding para ampliar sua presença em posições de decisão.
Entretanto, persistem os duplos padrões: quando uma mulher líder é direta e objetiva, pode ser vista como grosseira ou agressiva, enquanto um homem com as mesmas características costuma ser considerado assertivo e competente.
Para superar essas barreiras, Nabozni defende a necessidade de reconhecer esses preconceitos sutis e reduzir a autocobrança excessiva que muitas mulheres enfrentam — a pressão para serem perfeitas como profissionais, mães, esposas e gestoras domésticas simultaneamente.
Cultura organizacional consciente como solução
A transformação, segundo a especialista, precisa começar pela revisão profunda da cultura organizacional. Empresas que desejam promover verdadeira diversidade devem:
- Estabelecer metas claras e mensuráveis para aumento da representação feminina na liderança
- Criar programas de mentoria e desenvolvimento específicos para mulheres
- Revisar processos de recrutamento e promoção para eliminar vieses inconscientes
- Implementar políticas de flexibilidade que reconheçam as múltiplas responsabilidades das profissionais
A mudança, conclui Nabozni, não é apenas uma questão de justiça social, mas também de inteligência empresarial: "Organizações diversas e inclusivas demonstram melhor desempenho financeiro, maior inovação e tomadas de decisão mais equilibradas".



