O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, pressionado por dois fatores principais: o balanço da Petrobras e a inflação doméstica. O principal índice da B3 recua mais de 0,8%, enquanto o dólar apresenta leve alta.
Petrobras frustra expectativas com dividendos
A Petrobras divulgou seu balanço do primeiro trimestre de 2026 na noite de segunda-feira (11). A empresa registrou lucro líquido de 32,6 bilhões de reais, uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado pela volatilidade do mercado internacional de petróleo e pelo aumento dos investimentos, com efeitos ainda limitados da guerra entre Irã e Israel.
O principal motivo de frustração para os investidores foi o pagamento de dividendos abaixo do esperado: 9,3 bilhões de reais, contra os 12 bilhões projetados. O Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda) ficou em 61,7 bilhões de reais. Como consequência, as ações da companhia (PETR4) fecharam em baixa de 1,62%, arrastando o Ibovespa para uma queda de 0,86%.
Inflação pressiona curva de juros
No cenário doméstico, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,67% em abril, abaixo dos 0,88% de março, mas ainda pressionado por aumentos nos preços da gasolina, alimentos e medicamentos. Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, comenta: “O IPCA cheio veio ligeiramente melhor do que o consenso, mas a composição não foi exatamente benigna. Dentro dos grupos, os serviços subjacentes, mais sensíveis ao ciclo econômico e muito relevantes sob a ótica da demanda, aceleraram”. Esse movimento pressionou a curva de juros local, especialmente nos vencimentos mais curtos, influenciando negativamente a bolsa.
Inflação nos EUA e petróleo elevam dólar
Na economia dos Estados Unidos, a inflação acelerou para 3,8% em abril, o maior patamar em três anos, impulsionada pelo choque energético da guerra com o Irã e pela disparada nos preços dos combustíveis. Esse dado, combinado com a alta do petróleo, abriu a curva de juros americana, aumentando a aversão ao risco e dando sustentação ao dólar, que registrou leve alta no pregão de hoje.



