O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, 12, pressionado pelo desempenho negativo das ações da Petrobras, após a companhia divulgar resultados trimestrais abaixo das expectativas do mercado. Os investidores também monitoram de perto os dados da inflação, que já mostram os primeiros impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 12h, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,91%, aos 180.256,71 pontos.
Petrobras pesa no índice
A queda do dia é explicada principalmente pela baixa das ações da Petrobras, que têm peso relevante no Ibovespa. O papel da estatal recuava 1,34%, cotado a 45,82 reais. Na véspera, a empresa divulgou lucro líquido de 32,6 bilhões de reais no primeiro trimestre, uma retração de 7,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado veio em um cenário de disparada do petróleo no mercado internacional, que não se refletiu no balanço da petroleira.
Em relação aos dividendos, a Petrobras pagou 9,3 bilhões de reais, valor inferior aos 12 bilhões esperados pelo mercado. Já o Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda) ficou em 61,7 bilhões de reais, 9% abaixo da projeção do Banco Safra.
Análise do mercado
Para a XP Investimentos, o resultado abaixo das expectativas é explicado principalmente por preços mais baixos do que o esperado nas exportações de petróleo bruto, que atingiram aproximadamente 72 dólares por barril, uma alta de 6,5% na comparação trimestral, enquanto o petróleo Brent subiu 27% no mesmo período. “A nosso ver, os resultados do primeiro trimestre da Petrobras decepcionaram as expectativas e provavelmente devem desencadear uma reação negativa nas ações no próximo pregão. No entanto, entendemos que isso não deve se traduzir em revisões das estimativas para baixo relevantes à frente”, afirma Regis Cardoso, analista que assina o relatório da XP.
Cenário macroeconômico pesa sobre o Ibovespa
O mercado também reage aos dados da inflação brasileira e americana. No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em abril, abaixo dos 0,88% registrados em março, conforme divulgado pelo IBGE nesta terça-feira. Apesar da desaceleração mensal, o indicador acumulado em 12 meses avançou para 4,39%, acima dos 4,14% observados no período imediatamente anterior. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a inflação soma alta de 2,60%. Em abril de 2025, a taxa havia sido de 0,43%.
Para o mercado, embora o índice tenha ficado próximo das expectativas, os sinais qualitativos ainda não são considerados positivos. De acordo com Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, os núcleos de inflação e os serviços subjacentes continuam acima do esperado. “Embora o IPCA fechado de abril tenha vindo em linha com o esperado, a composição do dado não foi das mais favoráveis, com serviços subjacentes e a média dos núcleos ainda pressionados e acima das expectativas do mercado”, afirma.
Perspectivas para os juros
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, no curto prazo, as medidas do governo – como subsídios e redução de impostos – devem mitigar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação brasileira. Ainda assim, ela comenta que combustíveis e alimentos já podem estar sendo impactados pelo conflito no Oriente Médio. Além disso, o mercado de trabalho aquecido, junto com a perspectiva de desvalorização do real, deve fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre.
Por isso, o mercado segue cauteloso em relação ao corte de juros no Brasil, o que pressiona o Ibovespa. A economista lembra que, na reunião de abril, o Copom sinalizou que a Selic deve continuar caindo, a depender da evolução do conflito no Oriente Médio. “Na nossa leitura, as restrições na produção de petróleo e de outros insumos já começaram a pressionar a inflação. Por isso, esperamos um corte moderado de 0,25 ponto percentual em junho, levando os juros para 14,25%. No nosso cenário, a Selic deve encerrar o ano em 13,5%”, conclui Moreno.



