Grupo Fictor pede recuperação judicial enquanto CEO é alvo da Operação Fallax da PF
Grupo Fictor pede recuperação judicial e CEO é alvo da PF

Grupo Fictor busca recuperação judicial em meio a operação policial contra executivos

O Grupo Fictor formalizou um pedido de recuperação judicial perante o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), buscando reorganizar suas operações financeiras que acumulam compromissos próximos a R$ 4 bilhões. Paralelamente, Rafael Góis, sócio e CEO da holding, tornou-se um dos alvos da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (25).

Operação Fallax investiga esquema milionário de fraudes bancárias

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços vinculados ao executivo na capital paulista, além de realizar 21 prisões preventivas e executar 43 mandados em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Até o início da manhã, pelo menos 13 pessoas haviam sido detidas.

Segundo as investigações, a organização criminosa alvo da operação recrutava funcionários de instituições financeiras para inserir dados falsos em sistemas bancários, permitindo saques e transferências ilegais que podem ter movimentado mais de R$ 500 milhões. Os valores eram posteriormente ocultados através de empresas de fachada, bens de luxo e criptoativos.

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A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 47 milhões em bens e a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas e empresas envolvidas no esquema. Além de Góis, o ex-sócio do Grupo Fictor Luiz Rubini também é alvo de mandados na cidade de São Paulo.

Crise empresarial atribuída à tentativa frustrada de compra do Banco Master

A empresa, que atua nos setores de alimentos, serviços financeiros e infraestrutura, atribui sua crise financeira à tentativa mal-sucedida de adquirir o Banco Master em novembro do ano passado. Um consórcio liderado por um dos sócios anunciou uma proposta para comprar a instituição financeira de Daniel Vorcaro, mas um dia após o anúncio, o Banco Central decretou a liquidação do banco, suspendendo a operação.

Em comunicado oficial, a Fictor afirmou que o episódio gerou "especulações" no mercado que reduziram significativamente a capacidade das empresas do grupo de manter recursos em caixa e honrar compromissos no curto prazo. "Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding", destacou a nota.

Processo de recuperação judicial busca reestruturar dívidas bilionárias

Após a tentativa frustrada de comprar o Banco Master e a subsequente crise de imagem, o Grupo Fictor ingressou com pedido de recuperação judicial em fevereiro para reorganizar a operação da Fictor Holding e da Fictor Invest. Estas empresas concentram as participações societárias e as operações financeiras do conglomerado, que reúne mais de 10 empresas.

Segundo a Fictor, as demais subsidiárias não serão afetadas pela medida, que busca equilibrar a operação e assegurar o pagamento de compromissos financeiros. No pedido, o grupo afirma ter a intenção de quitar as dívidas sem deságio e solicitou à Justiça um prazo de 180 dias para a suspensão de cobranças e bloqueios.

O objetivo declarado é evitar que empresas economicamente viáveis sejam impactadas por restrições típicas do processo de recuperação judicial. A empresa destacou que a proposta de aquisição do Banco Master estava condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores e que permaneceu à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

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Trajetória empresarial de Rafael Góis e expansão do Grupo Fictor

À frente da Fictor desde sua criação, Rafael Góis construiu uma trajetória de mais de 25 anos no mundo dos negócios, passando por diferentes posições de liderança e por áreas como indústria, tecnologia, setor imobiliário e finanças. Segundo seu perfil no LinkedIn, Góis é bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, onde se formou em 2000, com foco em gestão estratégica, finanças e operações.

O executivo afirma ter ingressado no mercado financeiro aos 16 anos, mas as experiências profissionais descritas se concentram exclusivamente na Fictor. Fundada em 2007, a empresa teve origem no setor de tecnologia, como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial.

Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios. O grupo expandiu suas operações por meio de participações e investimentos em empresas de diferentes setores, atuando hoje nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro.

Desde então, Góis ocupa o cargo de sócio e CEO do grupo, posição a partir da qual conduziu a expansão das operações, com sede em São Paulo e presença em diferentes regiões do país. Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo.