Fiesp mantém projeção pessimista para indústria de transformação em 2026
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) segue com expectativas desfavoráveis para o desempenho da indústria de transformação ao longo de 2026, mesmo diante do crescimento de 1,8% na produção industrial registrado em janeiro deste ano. A entidade empresarial avalia que o avanço mensal reflete um efeito sazonal típico do início do ano, após um dezembro historicamente mais fraco, e não configura uma mudança consistente no cenário de desaceleração que persiste desde meados de 2025.
Alta de juros e desafios estruturais freiam recuperação industrial
Em comunicado oficial, a Fiesp destacou que o modesto crescimento de janeiro não é suficiente para compensar as quedas acumuladas no final do ano passado. A federação atribui o desempenho aquém do esperado principalmente às taxas elevadas da Selic, mantidas pelo Banco Central como instrumento de controle inflacionário, que reduzem o ritmo da atividade econômica e limitam o investimento produtivo.
A economista Cristiane Quartaroli, analisando os dados, reforça que indicadores mais amplos — como o acumulado em doze meses e a média móvel trimestral — confirmam a perda progressiva de fôlego do setor industrial brasileiro. "O movimento observado em janeiro é esperado sazonalmente e não altera a trajetória de desaceleração", explica Quartaroli, alertando para a necessidade de olhar além dos números mensais.
Problemas crônicos e concorrência internacional pressionam setor
Além do impacto dos juros altos, a indústria nacional enfrenta desafios estruturais de longa data que continuam sem solução. Quartaroli lembra que o setor cresce pouco há décadas e depende urgentemente de avanços em áreas como:
- Reforma tributária abrangente
- Modernização administrativa
- Maiores investimentos em infraestrutura
- Mudanças no mercado de trabalho
Enquanto essas transformações não ocorrem, a indústria brasileira permanece em um crescimento que a especialista classifica como "voo de galinha", incapaz de decolar de forma sustentável. A situação é agravada pela intensa concorrência internacional, especialmente das importações chinesas, que capturam fatias significativas do mercado interno.
Riscos externos podem prolongar cenário desfavorável
Fatores geopolíticos adicionais preocupam os industriais. As tensões no Oriente Médio, por exemplo, podem manter os preços do petróleo em patamares elevados, pressionando ainda mais os custos de produção e contribuindo para a persistência da inflação. Este cenário, por sua vez, tende a prolongar o ciclo de juros altos, criando um ambiente desafiador para a retomada vigorosa da atividade industrial.
A Fiesp ressalta que, sem medidas concretas para enfrentar esses obstáculos estruturais e conjunturais, o setor industrial brasileiro deve continuar apresentando desempenho modesto ao longo de 2026, confirmando as projeções mais cautelosas da entidade para o ano que se inicia.



