Fictor Holding entra com pedido de recuperação judicial no TJSP com dívida bilionária
A holding financeira Fictor protocolou neste domingo, 1 de fevereiro de 2026, um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). De acordo com a empresa, a dívida soma impressionantes R$ 4 bilhões, um valor que coloca em evidência os desafios financeiros enfrentados pelo grupo.
Medidas urgentes e suspensão de execuções
No pedido, a Fictor solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. Segundo a companhia, essa medida é crucial para reduzir o risco de corridas individuais que poderiam pressionar ainda mais a liquidez e prejudicar uma solução coletiva e equânime para todos os credores.
A empresa argumenta que a recuperação judicial busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, garantindo a continuidade das atividades de forma sustentável. Em comunicado oficial, a Fictor destacou que o processo visa preservar mais de 10.000 empregos diretos e indiretos, mantendo as operações sem interrupções significativas.
Estrutura do grupo e impacto nas subsidiárias
A Fictor faz parte de um conglomerado fundado em 2007, com negócios diversificados em setores como:
- Alimentos
- Gestão de recursos
- Pagamentos
- Energia
- Imóveis
O grupo afirma ter cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,2 bilhões). O pedido de recuperação judicial atinge especificamente a Fictor Holding e a Fictor Invest, empresas que formam o braço financeiro do conglomerado.
Importante destacar que subsidiárias do grupo, como a Fictor Alimentos S.A. (empresa listada na B3), devem seguir com suas rotinas, contratos e projetos normalmente, segundo esclarecimentos da própria companhia.
Contexto e antecedentes do processo
A situação da Fictor vem se agravando nas últimas semanas. No dia 27 de janeiro, o TJSP já havia determinado o bloqueio de R$ 150 milhões das contas da empresa. A decisão ocorreu após um cliente que faz intermediação de pagamentos com cartões de crédito empresariais alegar que a companhia retirou dinheiro de uma conta de garantia.
Pelas regras do contrato, a Fictor era obrigada a manter R$ 150 milhões nessa conta como forma de evitar riscos de inadimplência. A operadora de meios de pagamentos, mantida sob sigilo judicial, expressou preocupação de que a crise gerada com a liquidação do Banco Master tivesse criado problemas de liquidez na Fictor.
Tentativa frustrada com o Banco Master
Em novembro do ano passado, o Banco Master anunciou que seria comprado pela Fictor. Contudo, a operação foi barrada pelo Banco Central, e atualmente o Master e seu conglomerado financeiro (incluindo Will Bank e Letsbank) estão em processo de liquidação.
A Fictor afirmou que a tentativa de compra do Master resultou em um desafio temporário de liquidez e de timing operacional. A empresa explicou que ficou mais exposta financeiramente após a negociação frustrada, o que teria agravado ajustes em relações com fornecedores estratégicos.
Posicionamento jurídico e reestruturação
Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, do Dasa Advogados, o objetivo da recuperação judicial é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas de um processo recuperacional, impossibilitando as atividades do grupo como um todo.
A Fictor implementou um plano de reestruturação que incluiu diminuição de sua estrutura física e corpo de colaboradores. A empresa destacou que fez esse movimento antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas.
Perspectivas e regularização de pagamentos
No último dia 14 de janeiro, a Fictor afirmou que os pagamentos de investidores seriam regularizados até 12 de fevereiro. A companhia negou um cenário de insolvência maior, atribuindo as dificuldades a um período atípico agravado por especulações de mercado que geraram um volume significativo de notícias negativas.
A maior parte dos credores é composta por sócios participantes dos negócios oferecidos pela holding. A empresa mantém que os problemas não decorrem de questões estruturais, mas sim de desafios temporários de liquidez que espera superar através do processo de recuperação judicial.