Grupo Fictor pede recuperação judicial com dívidas acima de R$ 4 bilhões
O Grupo Fictor, uma empresa conhecida por sua tentativa de aquisição do Banco Master e pelo patrocínio ao Palmeiras, entrou oficialmente em processo de recuperação judicial neste domingo, dia 1 de fevereiro de 2026. O pedido, que abrange as operações da Fictor Holding e Fictor Invest, revela uma situação financeira crítica, com dívidas acumuladas que ultrapassam a marca de 4 bilhões de reais.
Crise de liquidez e impacto da liquidação do Banco Master
De acordo com um comunicado oficial da companhia, a decisão de buscar a recuperação judicial é resultado direto de uma crise de liquidez que se intensificou no final do ano passado. Esse cenário foi desencadeado pela liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC), um evento que afetou profundamente as operações do grupo.
A empresa destacou em seu documento que pretende honrar todas as suas obrigações financeiras de forma integral, sem recorrer a deságios, uma prática comum em processos similares. Para isso, solicitou uma tutela de urgência que suspenda execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, visando evitar corridas individuais que possam comprometer ainda mais sua liquidez e prejudicar uma solução coletiva.
Diversificação de negócios e histórico de expansão
Atualmente, o Grupo Fictor mantém uma atuação diversificada em vários setores da economia, incluindo:
- Setor financeiro
- Tecnologia
- Energia, com foco em solar
- Agronegócio
A trajetória da empresa no Brasil começou em 2007, inicialmente como uma fornecedora de soluções tecnológicas. Ao longo dos anos, o grupo expandiu suas atividades de forma significativa:
- Em 2013, realizou sua primeira chamada de capital.
- Em 2018, ingressou no agronegócio como uma trading de commodities.
- Em 2023, diversificou para o setor elétrico, com ênfase na geração de energia solar.
- Em 2024, lançou o FictorPay, marcando sua entrada no mercado financeiro, e realizou o IPO da Fictor Alimentos na B3.
Além disso, nos últimos dois anos, a empresa abriu escritórios no exterior, incluindo um em Miami, nos Estados Unidos, demonstrando suas ambições internacionais.
Bloqueio de R$ 150 milhões e tentativa fracassada de aquisição
Recentemente, em 30 de janeiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio cautelar de 150 milhões de reais pertencentes ao Grupo Fictor. A desembargadora Maria Lúcia Pizzotti justificou a medida pela ausência de garantias financeiras contratuais para a atuação da empresa no mercado de cartões de crédito.
A decisão judicial também considerou indícios de esvaziamento patrimonial em um período sensível, logo após a sinalização de interesse na aquisição do Banco Master. Vale ressaltar que a Fictor anunciou publicamente a intenção de comprar o banco um dia antes da liquidação pelo BC, mas a transação não se concretizou devido a esse evento.
Patrocínio ao Palmeiras e perspectivas futuras
O Grupo Fictor também é reconhecido como patrocinador do Palmeiras, um dos principais clubes de futebol do país, sediado na capital paulista. Essa parceria reforça o perfil diversificado da empresa, que agora enfrenta um dos maiores desafios de sua história com o processo de recuperação judicial.
Enquanto busca estabilizar suas finanças, a companhia mantém o compromisso de quitar integralmente suas dívidas, sem deságios, em um esforço para preservar sua reputação e continuar operando em seus múltiplos segmentos de negócio.