O setor produtivo brasileiro absorveu a maior parte da disparada da inflação em abril, repassando apenas uma fração aos consumidores, o que aumenta a pressão sobre o caixa das empresas. A conclusão é dos resultados do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) divulgados nesta quarta-feira 29 pela Fundação Getulio Vargas.
Composição do IGP-M
O IGP-M é a média ponderada de três indicadores. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com 60% de peso, acompanha a inflação da cadeia produtiva, desde a matéria-prima até o produto acabado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) participa com 30% e reflete a pressão no bolso dos consumidores finais. O Índice Nacional de Custo da Construção completa com 10%.
Alta expressiva no IPA
Em abril, o IPA registrou alta de 3,49%, forte aceleração sobre março (0,61%) e o pior resultado desde maio de 2021 (5,43%). Na ocasião anterior, o mundo ainda sofria com o desarranjo das cadeias produtivas globais pela pandemia de covid-19. Desta vez, o vilão é a disparada dos combustíveis, motivada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que fechou o Estreito de Ormuz, rota de 20% do petróleo mundial.
Impacto nas etapas produtivas
Segundo a FGV, as matérias-primas brutas tiveram alta de 5,78% em abril, pressionadas por fretes e petróleo. Parte desse reajuste foi absorvida pelos fornecedores, com alta de 2,81% nos bens intermediários. Os bens finais subiram apenas 0,9%. Cada elo posterior reajustou menos que seus fornecedores, indicando absorção das altas e redução de margens.
Pressão sobre as empresas
Com recordes de endividamento e recuperações judiciais, o movimento adiciona pressão sobre o caixa das empresas. Outra evidência é o aumento de apenas 0,94% no IPC, mostrando que comércio e serviços evitam reajustes. Apenas setores expostos ao petróleo tiveram altas expressivas: gasolina subiu 6,3% e diesel disparou 14,9%.



