CSN negocia empréstimo de até US$ 1,5 bilhão para quitar dívidas com garantia de ações
CSN busca empréstimo de US$ 1,5 bi para saldar dívidas

CSN avança em negociações para empréstimo bilionário com sindicato de bancos

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está em estágio avançado de negociações para fechar um empréstimo de até US$ 1,5 bilhão com um grupo de bancos, conforme apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O montante envolvido varia entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão, com o valor final dependendo de discussões sobre termos como juros e garantias adicionais.

Garantias e objetivos do financiamento

Entre as garantias oferecidas pela CSN estão ações da CSN Cimentos, subsidiária da empresa. Fontes próximas às conversas indicam que a perspectiva para a conclusão do acordo em março é positiva, embora a CSN e os bancos envolvidos tenham se recusado a comentar oficialmente.

A companhia planeja utilizar os recursos para quitar títulos de dívida (bonds) emitidos no exterior que vencem em abril de 2026, além de saldar dívidas bancárias e recomprar parte dos bonds com vencimento em 2028. Conforme o balanço mais recente, do terceiro trimestre de 2025, os vencimentos com bancos somam R$ 6,2 bilhões este ano.

Composição do sindicato bancário e contexto financeiro

O sindicato de bancos inclui instituições como Morgan Stanley e Santander, que receberam mandato para a venda da CSN Cimentos, além de Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC, com possibilidade de mais participantes. Esta solução é buscada diante das dificuldades da CSN em refinanciar suas dívidas, oferecendo aos bancos a troca de dívidas por compromissos com garantia.

A dívida líquida da CSN totalizava R$ 37,545 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2025, sendo R$ 26,9 bilhões com vencimentos entre 2026 e 2028. A capacidade da empresa de acessar o mercado de dívida externa para novas emissões é vista com ceticismo, exigindo um prêmio elevado para atrair investidores.

Desafios e reavaliações no mercado

A sequência de problemas com grandes empresas brasileiras, como Braskem e Raízen, tem prejudicado o ambiente para captações no exterior, colocando a CSN no radar de investidores estrangeiros que temem uma reestruturação forçada de dívidas. Recentemente, a agência de rating Fitch rebaixou o rating da CSN de “BB-” para “B”, mantendo observação negativa devido aos desafios na execução da estratégia de desalavancagem por meio da venda de ativos.

Em janeiro, a empresa anunciou a alienação de ativos para equacionar sua estrutura de capital, incluindo a venda da operação de cimentos e a contratação do Citi e Bradesco para atrair sócios ao negócio de infraestrutura. Este empréstimo representa uma alternativa crítica para a CSN enfrentar seus compromissos financeiros imediatos em um cenário econômico desafiador.