Cegonheiros buscam soluções para alta do diesel e falta de mão de obra em reunião no Bandeirantes
Lideranças sindicais dos cegonheiros, categoria responsável pelo transporte de carros zero quilômetro no país, estiveram na tarde desta quarta-feira, 22 de abril de 2026, com o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, no Palácio dos Bandeirantes. O objetivo foi avaliar meios de contornar a oscilação no preço do diesel sem impactar o valor do frete e o suprimento de mão de obra qualificada para o segmento.
Contratos com gatilho percentual ao valor do diesel
Os contratos dos cegonheiros com as empresas de logística, que organizam a entrega dos veículos, possuem um gatilho percentual vinculado ao valor do diesel. Quando os aumentos do combustível ultrapassam o patamar estabelecido em contrato, os cegonheiros têm direito a recompor o valor ajustado para o frete. Essa cláusula é crucial para proteger os profissionais das flutuações do mercado de combustíveis.
Na reunião, Felício Ramuth recebeu o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), José Ronaldo Marques da Silva, o vice-presidente da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg), Ronaldo Marques da Silva, e o diretor da regional do Sinaceg em São José dos Campos, Gustavo Carmo. Embora não tenha sido alcançada uma solução definitiva para a questão do diesel, foram discutidas diversas possibilidades.
Expectativa de resolução sem alterar o frete
José Ronaldo Marques da Silva destacou que a expectativa é resolver a situação sem a necessidade de mexer no preço do frete. “Nossa expectativa é que tudo se resolva sem precisarmos mexer no preço do frete, pois a grande preocupação é preservar o consumidor final de alguma alteração no valor do produto”, afirmou. Ele mencionou que um cessar-fogo indefinido declarado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode apaziguar o mercado e contribuir para a estabilização dos preços.
Apagão de mão de obra preocupa o setor
Além da questão do diesel, Ramuth demonstrou grande interesse no “apagão de mão de obra” que os caminhoneiros podem enfrentar. Há um envelhecimento no perfil dos profissionais, e os filhos de caminhoneiros frequentemente não desejam seguir a carreira nas estradas. Para antecipar-se a esse problema, o presidente do Sinaceg apresentou ao vice-governador um projeto do sindicato para a criação de uma escola de motoristas.
O projeto visa formar profissionais preparados especificamente para o transporte de carros zero quilômetro, garantindo a continuidade e a qualidade do serviço. Ronaldo Marques da Silva, da Feiceg, enfatizou a importância da iniciativa: “Temos que tomar essa iniciativa. Precisamos desses profissionais e ninguém está mais preocupado com isso do que nós, lideranças da categoria e empresários do segmento”.
A reunião no Bandeirantes destacou a necessidade de ações coordenadas entre o governo e o setor privado para enfrentar os desafios atuais. Enquanto a questão do diesel permanece em aberto, a proposta da escola de motoristas representa um passo significativo para mitigar a escassez de mão de obra no futuro.



