Os bancos Bradesco e Itaú confirmaram oficialmente a compra conjunta de algumas carteiras de empréstimos concedidas pelo BRB a estados e municípios, conforme comunicados enviados ao mercado nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026. O posicionamento foi divulgado após uma notícia veiculada no Correio Braziliense, que afirmava que as instituições teriam negociado com o BRB a aquisição de 1 bilhão de reais em carteiras de crédito com aval da União.
Esclarecimentos dos bancos sobre a transação
Em nota, o Bradesco esclareceu que, em consórcio com o Itaú, com participação equivalente a 50% para cada banco, vem adquirindo carteiras de empréstimos do BRB, mas em valor menor que o montante mencionado na referida notícia. O banco de Osasco destacou que a operação faz parte de suas estratégias de mercado, sem fornecer detalhes específicos sobre os valores envolvidos.
O Itaú, por sua vez, afirmou em comunicado que os valores da transação são imateriais para a companhia, razão pela qual o banco não havia comunicado previamente a aquisição em parceria com o Bradesco ao mercado. Essa postura reflete a escala das operações do Itaú, onde transações de menor impacto financeiro podem não exigir divulgação imediata, conforme regulamentações vigentes.
Crise financeira do BRB e contexto da venda
O BRB enfrenta uma situação financeira delicada após adquirir cerca de 12 bilhões de reais em carteira de crédito do Banco Master. A instituição trabalha atualmente com um plano de capitalização para cobrir o rombo decorrente dessa compra, com previsão de concluir o processo até o final de maio de 2026.
O Banco Central estabeleceu um prazo até o dia 5 de agosto para que o BRB resolva seus problemas financeiros. Caso contrário, o banco corre o risco de ser liquidado, o que poderia impactar o sistema bancário nacional e os clientes envolvidos.
Desdobramentos jurídicos e operação policial
Em meio a essa crise, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso nesta quinta-feira em Brasília. A detenção ocorreu durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal a partir de ordens do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esses eventos destacam os desafios regulatórios e de governança que o BRB enfrenta, enquanto busca estabilizar suas operações e cumprir as exigências do Banco Central. A venda de carteiras de crédito a Bradesco e Itaú pode ser vista como uma medida para aliviar pressões financeiras e reorganizar o portfólio da instituição.
O mercado financeiro acompanha atentamente esses desenvolvimentos, que podem influenciar a confiança dos investidores e a estabilidade do setor bancário brasileiro. A transação entre Bradesco, Itaú e BRB ilustra as dinâmicas de consolidação e ajuste que caracterizam o cenário econômico atual, marcado por incertezas e necessidades de reestruturação.



