Estudo revela que apenas 14% das empresas brasileiras estão preparadas para crises reputacionais
Apenas 14% das empresas estão preparadas para crises, diz estudo

Pesquisa com executivos revela vulnerabilidade das empresas brasileiras em crises de reputação

Um estudo abrangente sobre Reputação Corporativa, conduzido pela consultoria ANK Reputation, expõe uma realidade preocupante no cenário empresarial brasileiro. A sondagem, que envolveu 125 líderes da alta administração entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, demonstra que apenas 14% das organizações estão verdadeiramente preparadas para evitar danos reputacionais e enfrentar situações de crise de forma eficaz.

Maioria das empresas reconhece necessidade de avanços

A pesquisa revela que a grande maioria das empresas brasileiras (70%) se considera "preparada, mas precisa avançar" em termos de gestão de crises. Outros 16% dos entrevistados admitem que suas organizações "não estão preparadas, mas começaram a trabalhar neste tema" (14%) ou estão "atrasadas neste tema" (2%). Esses dados destacam uma lacuna significativa na cultura de prevenção corporativa.

Prioridades estratégicas para 2026

Em um contexto de ano eleitoral incerto, os executivos demonstraram claras prioridades para 2026:

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  • 54% dos líderes empresariais afirmam que Reputação é uma das principais prioridades para o ano
  • Este índice representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, que era de 35%
  • A reputação superou temas como processos de fusões e aquisições, governança corporativa e iniciativas de diversidade e inclusão

Percepção distorcida dos riscos corporativos

O estudo identificou uma percepção interessante sobre os riscos empresariais. A maioria dos executivos citou fatores externos como os mais perigosos para gerar crises:

  1. Eleições e cenário político
  2. Questões geopolíticas internacionais
  3. Desenvolvimento da Inteligência Artificial
  4. Polarização da sociedade brasileira

Curiosamente, riscos internos - como má conduta da liderança e dos colaboradores - representaram apenas 11% das menções, indicando uma possível subestimação dos perigos que surgem dentro das próprias organizações.

Análise especializada sobre os resultados

Anik Suzuki, fundadora da ANK Reputation, oferece uma análise perspicaz sobre os resultados: "O estudo deixa claro que ainda não há uma cultura disseminada de prevenção e preparo antecipado nas empresas para situações críticas. Pode ser resultado de um excesso de otimismo quanto ao controle de riscos ou priorização de tempo e investimento em iniciativas já em curso."

Suzuki acrescenta: "Ocorre que o abalo causado por uma crise custa mais caro, em todos os sentidos, do que preveni-la. Além disso, quando a liderança está despreparada, fazer essa gestão exige um nível de mobilização que, muitas vezes, paralisa a empresa completamente."

Contexto empresarial brasileiro

Esta pesquisa surge em um momento particularmente desafiador para as empresas brasileiras, que enfrentaram diversas crises de confiança e imagem nos últimos anos. Apesar dessas experiências recentes, o estudo sugere que muitas organizações ainda não desenvolveram os mecanismos adequados para lidar com situações de crise de forma proativa e eficiente.

A transformação tecnológica, especialmente no que diz respeito à Inteligência Artificial, e a reorganização interna aparecem como temas complementares que os executivos estão considerando em suas estratégias para 2026, juntamente com o desenvolvimento de talentos e a busca por maior eficiência operacional.

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