Ações da Natura disparam após acordo com Advent International e renovação do conselho
As ações da Natura apresentaram um desempenho excepcional nesta terça-feira, registrando uma valorização de 9,52% e alcançando a cotação de R$10,12. Este movimento marcou a primeira vez desde 19 de setembro do ano passado que os papéis da fabricante de cosméticos ultrapassaram a barreira psicológica dos R$10, superando inclusive o desempenho médio do Ibovespa, que subiu 1,69% no mesmo período.
Acordo estratégico com fundo norte-americano
O impulso nas ações veio após o anúncio de um acordo que prevê a aquisição pela norte-americana Advent International de uma participação entre 8% e 10% no capital social da Natura. A operação será realizada no mercado secundário através do fundo de investimento Lotus, controlado pela empresa de private equity, e deverá ser concluída em até seis meses, com um preço-alvo médio estabelecido em R$9,75 por ação.
"A possível entrada da Advent pode redefinir ou reforçar o senso de responsabilidade e de 'ownership' na Natura, o que, ao longo do tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos", avaliaram analistas do Bradesco BBI em relatório divulgado no final da segunda-feira.
Uma vez concretizada a participação minoritária, a Advent International terá direito a indicar dois membros adicionais para compor o conselho de administração da empresa, além de participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado.
Renovação completa do conselho de administração
Paralelamente ao acordo com a Advent, a Natura anunciou profundas mudanças em sua governança corporativa. Os fundadores históricos Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos decidiram migrar do conselho de administração para um novo conselho consultivo, que será instituído e eleito durante assembleia de acionistas convocada para 29 de abril.
Este conselho consultivo, se aprovado pelos acionistas, terá como função principal zelar pela preservação dos propósitos, valores e cultura da Natura, bem como pela perpetuação do legado dos seus fundadores, sem exercer funções executivas ou poderes decisórios na empresa.
A administração também propôs a recomposição integral do conselho de administração para um mandato de dois anos, com início após a assembleia. A chapa inclui a permanência de Duda Kertesz, João Paulo Ferreira (CEO) e Alessandro Carlucci – este último assumindo a presidência do colegiado – além da entrada de Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra, que fazem parte da transição dos fundadores, e a eleição de Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
Além dos fundadores, também deixam o conselho Fábio Barbosa (que ocupava a presidência), Bruno Rocha e Gilberto Mifano. Barbosa deverá integrar o conselho consultivo, dependendo da decisão na assembleia.
Análise positiva do mercado
Os analistas do Bradesco BBI, que mantêm recomendação "outperform" para as ações da Natura, avaliaram positivamente as mudanças. "Nós enxergamos a proposta de renovação do conselho, juntamente com a mentalidade estratégica de 'nova fase', como um desenvolvimento construtivo", afirmou o relatório assinado por Pedro Pinto e sua equipe.
Os especialistas destacaram que "a nova composição traz profissionais experientes e seniores, mais alinhados às competências necessárias para a próxima etapa da companhia", ressaltando especialmente a liderança de Alessandro Carlucci, que foi CEO da Natura entre 2004 e 2014, período considerado de destaque para a empresa.
Outro ponto positivo destacado pelos analistas é o "envolvimento contínuo dos fundadores e principais visionários da Natura, que deve ajudar a preservar a cultura da empresa e seu DNA estratégico de longo prazo", elementos considerados fundamentais na construção de uma das marcas mais fortes do Brasil e da América Latina.
As mudanças anunciadas representam um momento de transição significativo para a Natura, combinando a entrada de um sócio estratégico internacional com uma renovação na governança que busca equilibrar inovação com a preservação dos valores históricos da empresa.



