Varejo brasileiro inicia 2026 com crescimento moderado e disparidade entre setores
Varejo em 2026: crescimento moderado e setores em queda

Varejo brasileiro inicia 2026 com crescimento moderado e disparidade entre setores

O varejo brasileiro deve registrar um crescimento moderado no início de 2026, conforme projeções recentes do IBEVAR-FIA Business School, baseadas na Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. As análises revelam um cenário de avanço contido, marcado por uma desaceleração gradual e uma clara disparidade entre diferentes segmentos do mercado.

Projeções detalhadas para o varejo restrito e ampliado

Segundo os dados, o varejo restrito, que exclui setores como veículos e material de construção, deve apresentar um avanço de 1,70% em fevereiro no acumulado de 12 meses. No entanto, essa taxa deve desacelerar para 1,27% em abril, indicando uma perda de fôlego no ritmo de crescimento. Já o varejo ampliado, que inclui esses segmentos, mostra maior volatilidade, com retrações previstas para os meses de março e abril, refletindo os desafios econômicos atuais.

Segmentos em alta e em queda no mercado varejista

Entre os setores que se destacam positivamente, os artigos farmacêuticos e cosméticos seguem em alta, demonstrando resiliência mesmo em um contexto econômico desafiador. Os supermercados mantêm uma trajetória de estabilidade, enquanto os segmentos de tecidos e calçados apresentam uma expansão gradual, ainda que modesta.

Por outro lado, setores como veículos, material de construção e papelaria enfrentam quedas significativas. Essa retração está diretamente ligada aos juros elevados e à menor disposição do consumidor para realizar compras de maior valor, fatores que limitam o acesso ao crédito e reduzem o poder de compra.

Impacto dos juros elevados e do crédito restrito

O cenário de juros elevados tem sido um dos principais obstáculos para o crescimento do varejo, especialmente em segmentos que dependem fortemente do financiamento. Com o crédito mais caro e escasso, os consumidores tendem a adiar ou cancelar compras de bens duráveis, como veículos e materiais para reforma, o que explica as projeções negativas para esses setores.

Além disso, a pulverização do varejo, com uma grande variedade de canais de venda, dificulta a consolidação de dados e a análise precisa do comportamento do consumidor, adicionando uma camada de complexidade às projeções econômicas.

Perspectivas para os próximos meses

As projeções do IBEVAR-FIA sugerem que o varejo brasileiro deve continuar enfrentando um período de crescimento moderado e incertezas no primeiro semestre de 2026. A recuperação mais robusta dependerá de fatores como a evolução da política monetária, com possíveis reduções nas taxas de juros, e a melhora na confiança do consumidor.

Enquanto isso, os varejistas precisam se adaptar a um ambiente de menor dinamismo, focando em estratégias de eficiência operacional e na oferta de produtos com melhor relação custo-benefício para atrair um público mais cauteloso.