Os preços das passagens aéreas registraram um aumento de 19,4% em março de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O dado foi divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesta sexta-feira (24). O indicador conhecido como yield, que representa o valor médio pago por quilômetro voado, atingiu R$ 0,5549 no período. Esse índice reflete o preço efetivamente cobrado pelas companhias aéreas por distância percorrida, permitindo uma análise mais precisa das tarifas do setor.
A elevação ocorre em um contexto de forte alta do petróleo, impulsionada pela escalada dos conflitos no Oriente Médio. O barril do tipo Brent acumulou valorização de aproximadamente 45% no período, impactando diretamente o querosene de aviação (QAV), principal insumo do setor. Apesar do aumento expressivo, a Anac destacou que a variação está dentro da margem típica do mercado e ocorre mesmo diante do cenário de tensões externas.
Segundo a agência reguladora, a tarifa real média em março foi de R$ 707,16, o que representa uma alta de 17,8% em relação a março de 2025 e de 0,9% frente a março de 2024, já com valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A Anac ressaltou que a tarifa real média vem apresentando trajetória de queda desde 2023, mas o movimento recente de alta interrompeu essa tendência.
Movimentação de passageiros e oferta de voos
A aviação civil brasileira também registrou crescimento no número de passageiros transportados em março. Foram 10,6 milhões de viajantes, somando voos domésticos e internacionais, o maior volume já registrado para o período. Desse total, 8 milhões utilizaram rotas domésticas e 2,6 milhões voos internacionais. Na comparação anual, o número total de passageiros cresceu 3,1% em relação a março de 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelo mercado internacional, que registrou alta de 8,9%, enquanto o segmento doméstico cresceu 1,3%.
Os dados fazem parte do relatório de demanda e oferta da Anac, atualizado com a série histórica até março de 2026. A demanda, medida pelo total de passageiros multiplicado pela distância percorrida, aumentou 7,8% no mercado doméstico. Já a oferta, calculada pelo número de assentos disponíveis em relação aos quilômetros voados, teve alta de 7,9%. No segmento internacional, a demanda subiu 3,3% e a oferta avançou 0,4%.
Transporte de cargas
No transporte de cargas, foram movimentadas 117,5 mil toneladas no total, registrando uma leve queda de 0,3% na comparação anual. O desempenho reflete a estabilidade do setor, apesar do aumento no fluxo de passageiros.



