O uso do cartão de crédito rotativo, considerado a linha de crédito mais cara do mercado financeiro brasileiro, atingiu R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre de 2024. O dado foi divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (27). Esse montante representa um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período de 2023, quando as concessões somaram R$ 99,9 bilhões.
Modalidade é vilã do endividamento
O crédito rotativo é apontado como um dos principais responsáveis pelo alto nível de endividamento da população brasileira. Em março, a taxa de juros média cobrada pelos bancos nessa modalidade chegou a 428,3% ao ano. A inadimplência também é elevada: 63,5% dos valores emprestados não foram pagos, o que significa que mais de R$ 60 a cada R$ 100 não foram honrados.
Perfil dos usuários
Segundo a autoridade monetária, 101 milhões de pessoas no Brasil possuem cartão de crédito, quase metade da população. Desses, cerca de 40 milhões estavam com dívidas no rotativo em janeiro de 2024. O rotativo é acionado automaticamente quando o cliente não paga o valor total da fatura na data de vencimento.
Limitações e medidas recentes
Em janeiro de 2024, o Congresso Nacional e o governo federal aprovaram uma lei que limita o endividamento no cartão de crédito rotativo. Pela nova regra, a dívida total não pode exceder o valor original do débito. Por exemplo, se a dívida inicial é de R$ 100, os juros e encargos não podem fazer o total ultrapassar R$ 200.
Declarações do presidente do BC
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que muitas pessoas estão utilizando o rotativo como parte de sua renda mensal, o que deveria ser alvo de uma discussão estrutural. Ele destacou a necessidade de oferecer alternativas mais adequadas aos clientes, como linhas de crédito com taxas menores.
Programa de refinanciamento em estudo
Em ano eleitoral, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha em um novo programa para reduzir o endividamento da população. A proposta prevê unificar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma única dívida, que seria refinanciada com descontos de 30% a 80% nos juros, podendo chegar a 90% em alguns casos.
Além disso, o governo analisa autorizar o uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, com limites para evitar o esgotamento do fundo. As medidas foram admitidas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Crédito consignado privado
Para facilitar o acesso ao crédito com juros mais baixos, o governo lançou em 2023 o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. Em um ano, foram liberados mais de R$ 80 bilhões. No entanto, a regulamentação do uso do saldo do FGTS como garantia para esses empréstimos, prometida como diferencial para reduzir os juros, ainda não saiu do papel.



