Ibovespa sobe com mudanças no tarifaço de Trump e agenda econômica intensa
Ibovespa sobe com tarifaço de Trump e agenda econômica intensa

Ibovespa registra alta com atenção ao tarifaço de Trump e agenda econômica carregada

O Ibovespa apresenta movimento de alta nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, com o mercado financeiro brasileiro atento às mudanças no tarifaço anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O índice principal da B3 subia aproximadamente 0,20% por volta das 12h, alcançando 190.899 mil pontos, enquanto o dólar comercial recuava 0,57%, cotado a 5,14 reais.

Impacto das novas tarifas internacionais no comércio global

De acordo com um estudo da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, o Brasil será o país com maior redução nas tarifas médias aplicadas pelos Estados Unidos, com uma queda expressiva de 13,6 pontos percentuais. Na sequência, aparecem China, com recuo de 7,1 pontos, e Índia, com diminuição de 5,6 pontos.

Em contrapartida, aliados importantes dos Estados Unidos, como Reino Unido (com aumento de 2,1 pontos), União Europeia (alta de 0,8 ponto) e Japão (elevação de 0,4 ponto), estão entre os que passarão a enfrentar tarifas mais altas com a nova alíquota.

A medida tarifária foi adotada após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais grande parte das tarifas anteriores impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Diante da decisão judicial, o presidente norte-americano anunciou inicialmente uma tarifa geral de 10%, posteriormente elevada para 15%.

A nova alíquota entra em vigor na terça-feira, 24 de fevereiro, e terá validade de 150 dias, dependendo de nova autorização do Congresso dos Estados Unidos.

Agenda econômica da semana: inflação, emprego e balanços corporativos

No cenário doméstico, o mercado aguarda com expectativa os dados da prévia da inflação por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que deve apresentar um avanço de 0,56% conforme projeções do Bradesco. Esses números podem balizar significativamente as expectativas para possíveis cortes na taxa de juros pelo Banco Central.

Paralelamente, será divulgado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que pode mostrar a criação de aproximadamente 84 mil vagas formais de emprego em janeiro. Ambos os indicadores macroeconômicos serão publicados na próxima sexta-feira, 27 de fevereiro.

No panorama corporativo, a temporada de balanços trimestrais ganha destaque, com cerca de 30 resultados financeiros previstos para esta semana, o que deve ditar o humor dos investidores na B3.

  • Pão de Açúcar divulgará seus números na terça-feira, 24, após o fechamento do mercado. Analistas do UBS BB esperam um prejuízo de 187 milhões de reais no quarto trimestre de 2025, representando uma redução de 83% em relação ao prejuízo de 1 bilhão de reais registrado no mesmo período de 2024.
  • WEG, uma das empresas impactadas diretamente pelo tarifaço norte-americano, apresentará seus resultados no dia 25 de fevereiro, antes da abertura do mercado. O Itaú BBA projeta queda de 4% nas receitas e aumento nas despesas, o que deve gerar uma redução de 7% no lucro, estimado em 1,5 bilhão de reais. O foco do mercado estará nas declarações da companhia sobre o tarifaço, considerando que aproximadamente 9% das receitas da empresa são provenientes de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Cenário volátil exige cautela dos investidores

Em resumo, o Ibovespa tende a atravessar uma semana de volatilidade elevada, influenciado pelo cenário internacional das tarifas comerciais, pelos dados macroeconômicos locais e pelos resultados financeiros das empresas listadas na B3. A palavra-chave para os próximos dias, segundo analistas, é cautela e parcimônia, com os investidores monitorando atentamente cada desenvolvimento que possa impactar os rumos do mercado financeiro brasileiro.