Trump ordena ataque a barcos com minas em Ormuz; tarifas do Canal do Panamá disparam
Trump ordena ataque a barcos com minas em Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que a Marinha americana ataque barcos que estejam colocando minas no Estreito de Ormuz, em meio a uma escalada de tensões com o Irã. A decisão ocorre em um momento em que o estreito, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, encontra-se praticamente fechado para o comércio internacional, forçando empresas a buscarem alternativas como o Canal do Panamá, cujos custos dispararam.

Disparada nos custos do Canal do Panamá

De acordo com a Autoridade do Canal do Panamá, empresas chegaram a desembolsar até US$ 4 milhões para fazer seus navios atravessarem a hidrovia, em um movimento que provocou uma mudança sísmica nos fluxos globais de comércio. Normalmente, a passagem pelo canal ocorre por meio de uma tarifa fixa via reservas, mas empresas sem reserva podem cruzar pagando uma taxa adicional em leilões por vagas, concedidas ao maior lance, em vez de esperar dias na costa da Cidade do Panamá. Esse valor disparou nas últimas semanas, à medida que Irã e Estados Unidos criaram um gargalo na principal rota marítima do Estreito de Ormuz e a demanda por essas vagas aumentou fortemente.

Os navios passaram a utilizar com mais frequência o Canal do Panamá à medida que cargas foram redirecionadas e compradores passaram a buscar fornecedores em outros países para evitar o comércio pela agora arriscada rota do Oriente Médio. “Com todos os bombardeios, os mísseis, os drones... as empresas estão dizendo que é mais seguro e mais barato cruzar pelo Canal do Panamá”, afirmou Rodrigo Noriega, advogado e analista na Cidade do Panamá. “Tudo isso está afetando as cadeias globais de suprimentos.”

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Preços médios e recordes

O preço médio para atravessar o canal varia entre US$ 300 mil e US$ 400 mil, dependendo da embarcação. Antes da crise, para conseguir uma travessia antecipada, empresas pagavam entre US$ 250 mil e US$ 300 mil adicionais. Nas últimas semanas, esse custo extra médio subiu para cerca de US$ 425 mil, um aumento de aproximadamente 42%. Ricaurte Vásquez, administrador do canal, afirmou que outra empresa, cujo nome não revelou, pagou US$ 4 milhões extras quando seu navio de combustível precisou mudar de destino por causa das tensões geopolíticas em andamento. “Era um navio transportando combustível para a Europa, e ele foi redirecionado para Singapura, porque Singapura está ficando sem combustível”, disse. Outras petroleiras pagaram mais de US$ 3 milhões além da taxa de travessia para acelerar a passagem diante da disparada dos preços do petróleo.

Impacto no Panamá e no comércio global

Ao mesmo tempo em que lucra mais com o novo movimento comercial, o governo do Panamá também foi atingido pela crise geopolítica. Na quarta-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores do país acusou o Irã de apreender ilegalmente uma embarcação com bandeira panamenha da empresa italiana MSC Francesca no Estreito de Ormuz. O Panamá, que possui um dos maiores registros navais do mundo, afirmou que o navio foi “tomado à força” pelo Irã. Ainda não estava claro se a embarcação permanecia sob custódia iraniana. “Isso representa um grave ataque à segurança marítima e constitui uma escalada desnecessária em um momento em que a comunidade internacional defende que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação internacional, sem ameaças ou coerção de qualquer tipo”, afirmou o governo.

Vásquez disse que não houve acúmulo de navios no canal, mas que os custos refletem mudanças de última hora e maior urgência de embarcações que precisam chegar mais rapidamente ao destino em meio ao caos comercial global. Ele ressaltou que esses custos não representam uma tarifa geral de mercado, mas sim um pedágio temporário assumido pelas empresas. “Elas decidem até onde estão dispostas a pagar”, disse Vásquez.

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Perspectivas futuras

Noriega disse que o valor pago pelas empresas para cruzar o Canal do Panamá pode aumentar ainda mais caso o conflito continue, já que os preços do petróleo seguem em forte alta. O barril do petróleo Brent chegou a ultrapassar brevemente US$ 107 nesta semana, ante cerca de US$ 66 há um ano. “Ninguém realmente previu os efeitos potenciais que essa guerra teria sobre o comércio global”, afirmou. Enquanto isso, a ordem de Trump para atacar barcos com minas no Estreito de Ormuz sinaliza uma postura mais agressiva dos EUA na região, o que pode agravar ainda mais a crise e elevar os custos logísticos mundiais.