Ibovespa cai 0,46% após IBC-Br superar expectativas e reforçar juros altos
Ibovespa recua com IBC-Br forte e pressão de juros futuros

O principal indicador do mercado acionário brasileiro encerrou a sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, no campo negativo. O Ibovespa recuou 0,46%, fechando a sessão cotado em 164,8 mil pontos. A queda ocorreu em um dia marcado pela divulgação de um dado econômico relevante: a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).

Pressão Técnica e Cenário de Juros Elevados

Especialistas apontam que a movimentação da Bolsa de Valores de São Paulo foi influenciada por uma combinação de fatores técnicos e macroeconômicos. Nicole Malka, sócia da The Hill Capital, explica que o vencimento de opções aumentou a volatilidade e forçou ajustes técnicos na carteira. Paralelamente, a alta dos juros futuros exerceu pressão sobre as ações de setores mais sensíveis ao crédito e ao consumo, como os bancos.

Enquanto isso, a moeda norte-americana teve um dia de poucas oscilações. O dólar comercial encerrou o pregão próximo à estabilidade, sendo negociado a R$ 5,36.

IBC-Br Surpreende e Alimenta Expectativa de Juros Altos

O dado doméstico mais importante do dia veio do Banco Central. O IBC-Br, considerado uma prévia mensal do PIB, registrou crescimento de 0,7% em novembro de 2025 na comparação com o mês anterior. O resultado superou de forma expressiva as projeções do mercado financeiro, que esperavam uma expansão em torno de 0,3%.

A leitura consensual entre analistas é de que um indicador de atividade mais forte do que o previsto reforça a percepção de que o Banco Central manterá a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados por um período mais prolongado. A política monetária restritiva é um dos elementos que pesa sobre o desempenho da bolsa de valores.

Bancos no Vermelho e Alívio Geopolítico Externo

Entre os papéis de maior peso no índice, o setor bancário teve desempenho majoritariamente negativo, seguindo a tendência de baixa do Ibovespa. As maiores perdas ficaram com:

  • Itaú Unibanco (ITUB4): queda de 0,83%.
  • Banco do Brasil (BBAS3): recuo de 0,42%.
  • Santander Brasil (SANB11): leve declínio de 0,12%.

Uma exceção foi o Bradesco (BBDC4), que valorizou 0,56%.

No cenário internacional, a estabilidade do dólar foi favorecida por um alívio nas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. Além disso, o mercado operou atento ao Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A incerteza sobre a independência da autoridade monetária diminuiu após o ex-presidente Donald Trump sinalizar que não pretende demitir Jerome Powell, atual chefe do Fed.

O dia na B3, portanto, refletiu um equilíbrio de forças: dados econômicos domésticos robustos que adiam expectativas de corte de juros, pressão técnica local e um ambiente externo um pouco mais tranquilo, que ajudou a conter maiores volatilidades no câmbio.