O principal índice da bolsa brasileira iniciou o pregão desta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, em território negativo, marcando 182.686 pontos. A queda ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar Kevin Warsh como o novo presidente do Federal Reserve, o banco central americano. Esse movimento gerou ajustes nas posições dos investidores, em uma sessão marcada por cautela global.
Cenário doméstico: desemprego baixo e dívida pública em alta
No Brasil, dados recentes reforçam a resiliência do mercado de trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro. No entanto, a dívida pública bruta alcançou 78,7% do Produto Interno Bruto no mesmo período, conforme informações divulgadas pelo Banco Central.
Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, projeta que o desemprego deve permanecer em patamares historicamente baixos ao longo de 2026, sustentado por um crescimento do PIB próximo ao seu potencial. "Nossa expectativa é de que a taxa de desemprego termine o ano em torno de 5,5%", afirmou o especialista.
Setor bancário pressiona o índice
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, o setor bancário começou o dia em queda. As principais instituições financeiras registraram as seguintes variações:
- Banco do Brasil recuava 0,75%
- Itaú registrava queda de 0,24%
- Santander e Bradesco operavam com baixas de 0,19% cada
Impacto internacional da indicação de Warsh
A confirmação de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve põe fim a meses de incerteza sobre a sucessão no banco central americano. O anúncio ocorre em meio às críticas recorrentes de Trump e membros de seu governo à condução da política monetária por Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, avalia que o anúncio ajudou a reduzir a intensidade das perdas nos mercados futuros dos Estados Unidos. "A expectativa é de uma postura mais dura, porém, pode pressionar no curto prazo papéis de crescimento e tecnologia via expectativa de custos mais altos", explicou.
Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, complementa que o mercado viu o anúncio como algo positivo, mas que ainda não está refletindo nos números porque os analistas não gostam de incertezas. Segundo a estrategista, economias emergentes como o Brasil podem sentir efeitos adversos no curto prazo, especialmente por meio de um dólar mais forte e juros globais elevados.
Commodities e câmbio em movimento
No mercado de commodities, os preços do petróleo recuavam após três sessões consecutivas de alta. Essa queda ocorre diante da sinalização de que Trump pretende dialogar com o Irã, mesmo com o reforço da presença militar americana no Oriente Médio.
O dólar era negociado a 5,23 reais por volta das 11h20. Em Nova York, os índices futuros apontavam queda:
- Dow Jones recuava 0,32%
- Nasdaq caía 0,50%
- S&P 500 tinha baixa de 0,52%
O cenário global continua a influenciar os mercados brasileiros, com investidores monitorando de perto as decisões do novo presidente do Fed e seus impactos nas economias emergentes.