ETFs superam R$ 100 bi no Brasil com híbridos e temáticos
ETFs superam R$ 100 bi com híbridos e temáticos

Os ETFs, termo em inglês que designa os fundos de investimento negociados em bolsa, atraem cada vez mais os brasileiros. O patrimônio total desses fundos encerrou 2025 em 90 bilhões de reais, um crescimento de 68% sobre o ano anterior. O ritmo de expansão continua forte nos primeiros meses de 2026. Em março, os ETFs romperam a marca simbólica dos 100 bilhões de reais e acumularam um patrimônio de 107 bilhões.

Embora os grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, ainda formem a maior clientela, a participação das pessoas físicas está crescendo e já representa quase 30% dos recursos alocados. Cerca de 1 milhão de indivíduos cadastrados na B3 investem em ETFs, estimulados por vantagens como a praticidade para diluir riscos em momentos de incerteza e os menores custos de transação em comparação com fundos tradicionais.

Diversificação da oferta

Com quase 190 ETFs listados na bolsa e impulsionadas pelo maior interesse dos investidores, as gestoras têm diversificado o cardápio nos últimos meses, apostando em fundos híbridos e temáticos. Desde que surgiram nos Estados Unidos na década de 1980, os ETFs são chamados de "fundos de índices" por replicarem o comportamento de um índice de referência, como o Dow Jones. Para o investidor, a vantagem é clara: em vez de comprar todas as ações que compõem um índice, basta adquirir uma cota do fundo que o espelha, cabendo à gestora a missão de comprar as ações nas proporções prescritas.

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"Vemos uma demanda crescente por produtos financeiros mais simples, com acesso direto ao mercado e de fácil compreensão", afirma Bianca Maria, gerente de produtos da B3. Segundo ela, a popularização dos ETFs ajuda a formar novos investidores ao atrair um público mais jovem, atuando como uma porta de entrada para quem nunca investiu.

Fundos híbridos

Os ETFs tradicionais, que espelham um índice de mercado, são considerados fundos passivos. O mesmo ocorre com os ETFs de renda fixa, guiados por parâmetros como o IMA-B (títulos públicos indexados à inflação) e o IDA (debêntures de empresas privadas). No entanto, a crescente demanda tem incentivado as gestoras a inovar, rompendo a separação entre renda fixa e variável com os chamados ETFs híbridos, compostos por ativos de ambas as classes.

Exemplo disso é o It Now S&P 500 IMA-B, lançado há um ano pela Itaú Asset, considerado o primeiro ETF híbrido do Brasil. Cerca de 80% de sua carteira reproduz o IMA-B, e o restante espelha o S&P 500. "Combinamos a proteção contra a inflação com a exposição ao exterior", diz Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset. A ideia é buscar ativos com correlação negativa, servindo como proteção natural ao investidor.

Em alguns casos, os envolvidos na estruturação de ETFs híbridos precisam criar o próprio indicador de referência. Para lançar o Nu iBoxx Investment Grade Hedge Carry BRL, a Nu Asset, gestora do Nubank, solicitou à S&P Global que desenvolvesse um índice formado pela variação diária do CDI e pela remuneração de títulos de dívida de empresas americanas com grau de investimento, expurgando variações cambiais. Lançado no fim de 2025, o produto já reúne mais de 2.000 cotistas e patrimônio de quase 16 milhões de reais. "O resultado é um fundo que se aproxima da renda fixa brasileira, mas com risco ainda menor", afirma Andrés Kikuchi, executivo-chefe da Nu Asset.

Fundos temáticos

Outra frente em expansão são os fundos temáticos, dedicados a segmentos específicos do mercado. Os mais conhecidos são os ETFs atrelados a metais preciosos, vistos como proteção contra incertezas globais, como as causadas pelo impasse entre Estados Unidos, Israel e Irã. Há opções de produtos brasileiros, como o GOLD11, gerido pela XP Asset, e estrangeiros via BDRs, como o BIAU39, que acompanha a cotação do ouro no mercado à vista.

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Com mais de 100 BDRs de ETFs listados na B3, o leque de fundos temáticos se amplia, permitindo investir em setores como jogos eletrônicos, inteligência artificial e carros elétricos e autônomos. Em países mais avançados, há opções criativas como ETFs focados na indústria de Cannabis. No entanto, o investidor corre o risco de embarcar em modismos e amargar prejuízos. "Um setor pode estar em evidência, mas isso não garante resultados positivos", alerta Luiz Arthur Hotz Fioreze, diretor de portfólio da Oryx Capital.

Perspectivas de crescimento

A demanda por ETFs deve continuar crescendo, dadas suas vantagens sobre os fundos tradicionais. Relatório da PwC estima que o mercado global de ETFs alcançou 19,5 trilhões de dólares em 2025, avanço de 33% sobre 2024, e projeta 35 trilhões de dólares até 2030. No Brasil, os gestores avaliam que o patrimônio sob gestão dos ETFs pode crescer 500 bilhões de reais até o fim da década. "O Brasil ainda está começando a desenvolver esse mercado. Há muito potencial para ser explorado", diz Fioreze. Os fundos híbridos e temáticos são apenas uma amostra do que virá.