Dólar cai 0,58% e Bolsa sobe após mercado digerir ataque à Venezuela
Dólar em queda e Bolsa em alta após ataque à Venezuela

O dólar apresentou queda e a Bolsa de Valores registrou forte alta nesta terça-feira (6), em um movimento de recuperação do humor dos investidores após o impacto inicial da invasão dos Estados Unidos à Venezuela no fim de semana.

Mercado reage à transição política na Venezuela

Às 15h47, a moeda norte-americana recuava 0,58%, sendo negociada a R$ 5,372. Mais cedo, chegou a tocar a mínima do dia, em R$ 5,362. Do outro lado, o Ibovespa, principal índice da B3, avançava 1,15%, aos 163.732 pontos.

Os operadores de mercado começaram a dissipar a cautela após a cerimônia de posse da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Vice do ditador Nicolás Maduro, Rodríguez declarou lealdade ao regime e prestou juramento "com pesar", citando o sofrimento do povo venezuelano e o que chamou de "agressão militar ilegítima".

Para os analistas, a posse reduz a incerteza sobre a condução da política econômica do país, especialmente no setor petrolífero. "Os fluxos iniciais de busca por segurança no dólar já se dissiparam", afirmou Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury.

Petróleo em queda e impacto na Petrobras

Ryan destacou que o mercado enxerga a operação militar como um ataque pontual, e não o início de uma guerra prolongada, já que a nova líder não sugeriu retaliações militares imediatas. Ele avalia que a remoção do regime Maduro pode levar a uma transição política gradual e, espera-se, pacífica, abrindo caminho para a abertura da economia venezuelana.

No entanto, o especialista pondera que uma retomada rápida da indústria petrolífera do país, a principal fonte de crescimento, não está nos planos. "Qualquer impacto nos preços globais do petróleo provavelmente demorará a ser sentido", completou.

Refletindo esse cenário, os preços do petróleo Brent, referência internacional, caíam 1,13% na Bolsa de Londres, cotados a US$ 61,06 por barril, apagando parte dos ganhos do dia anterior.

No Brasil, as ações da Petrobras estendiam as perdas de segunda-feira, quando a estatal perdeu R$ 6,8 bilhões em valor de mercado. Os papéis preferenciais recuavam 1,19% e os ordinários, 1,38%. Além do cenário internacional, a petroleira lida com a notícia de um vazamento de fluido de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, que paralisou as operações por tempo indeterminado.

Analistas avaliam que as petroleiras brasileiras podem perder atratividade com a expectativa de novos investimentos no setor na Venezuela, além de enfrentarem um cenário de preços mais baixos do petróleo devido a um potencial aumento da oferta global.

Foco do mercado se volta a dados econômicos

Com o impacto geopolítico já digerido, a atenção dos investidores agora se concentra na agenda de indicadores econômicos da semana. O principal deles é o relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos, que pode alterar as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed).

No momento, 83,9% dos investidores apostam que o banco central norte-americano manterá a taxa de juros no patamar atual, entre 3,5% e 3,75%. Os 16,1% restantes veem uma nova redução como o movimento mais provável na próxima reunião, marcada para o fim de janeiro.

No cenário doméstico, com o Congresso e parte do Executivo ainda em recesso, os investidores não têm gatilhos fortes para operar, o que mantém o dólar próximo da estabilidade frente ao real. "Caso rompa este suporte de R$ 5,40, teremos novamente uma tendência de baixa do dólar no médio prazo", disse José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, reforçando que, no longo prazo, a divisa segue em trajetória de queda.