Bancos projetam desaceleração do crédito para 8,2% em 2026 e corte da Selic em março
Crédito deve desacelerar para 8,2% em 2026, aponta Febraban

Uma pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta para uma moderação no ritmo de expansão do crédito no país para o ano de 2026. De acordo com o levantamento, divulgado na quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, a maioria das instituições financeiras projeta um crescimento da carteira total de 8,2% no próximo ano, representando uma desaceleração frente à alta estimada de 9,2% para 2025.

Expectativas para o Crédito em 2025 e 2026

Os dados mostram uma revisão para cima das projeções para o ano corrente. A expectativa de crescimento do crédito em 2025, que na pesquisa anterior era de 8,9%, foi ajustada para 9,2%. Esse movimento é impulsionado principalmente pelo crédito direcionado, cuja projeção saltou de 10,1% para 10,9%.

Dentro desse segmento, o crédito para Pessoas Jurídicas se destaca, com uma expectativa de expansão de 15,3% (ante 13,6% previstos anteriormente), sustentado pelos programas governamentais. Para as famílias, na carteira direcionada, a previsão também melhorou, subindo de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional.

Já para 2026, a perspectiva é de uma desaceleração gradual. 73,7% dos analistas consultados acreditam que o saldo total de crédito perderá fôlego. Apesar disso, a projeção média para o próximo ano também foi revisada para cima, saindo de 7,9% para os atuais 8,2%, com melhoras tanto na carteira livre (de 7,4% para 7,6%) quanto na direcionada (de 9,0% para 9,4%).

Ciclo de Corte da Taxa Selic: Início Previsto para Março

A pesquisa da Febraban, realizada após a divulgação da Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), também abordou as expectativas para a taxa básica de juros. A maioria esmagadora dos bancos, 70%, acredita que o ciclo de queda da Selic só terá início na reunião do Copom marcada para março de 2026.

Com isso, a taxa deve se manter em 15% ao ano no encontro de janeiro. A partir de março, a previsão é de cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, o que levaria a Selic a 14% ao ano, nível ainda considerado restritivo pela autoridade monetária.

Inflação e Análise do Cenário

O levantamento também captou a visão dos bancos sobre a inflação em 2026. Metade dos participantes (50%) projeta que o índice ficará em linha com o consenso do mercado, ou seja, permanecendo acima da meta, pressionada pelos estímulos fiscais e de crédito. Por outro lado, 35% dos analistas esperam uma inflação abaixo do consenso, indicando uma tendência de queda nas projeções.

Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, avalia que a alta nas projeções para 2026 reflete a moderação gradual observada no mercado de crédito em 2025. "Ainda assim, houve crescimento em 2025 sustentado pelos programas governamentais para as Pequenas e Médias Empresas e linhas de consumo para as famílias", destacou o executivo.

Os números reforçam um cenário de cautela por parte das instituições financeiras, que enxergam um crescimento creditício mais contido no horizonte de 2026, atrelado a um ciclo de flexibilização monetária que deve começar apenas no primeiro trimestre do ano.