Consumidor brasileiro inicia 2026 com bolso aquecido, mas olhar cauteloso para o futuro
O brasileiro começou o ano de 2026 experimentando uma sensação de melhora nas finanças pessoais, ao mesmo tempo em que demonstra prudência em relação aos próximos meses. Essa dualidade foi capturada pela mais recente edição do Índice de Confiança do Consumidor, pesquisa mensal realizada pela Ipsos em 30 países, que mede a percepção da população sobre o momento econômico atual e as projeções para o futuro.
Confiança atinge pico de um ano e meio, mas expectativas recuam
De acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira (19), o Índice de Confiança do Consumidor no Brasil alcançou 55,1 pontos em janeiro de 2026, representando o maior patamar dos últimos 18 meses. O número representa um aumento de 1,9 ponto em relação ao mês anterior e um crescimento significativo de 3,9 pontos comparado a janeiro de 2025.
A pesquisa utiliza diferentes "termômetros" para avaliar a confiança na economia. A melhora observada entre os brasileiros foi impulsionada principalmente por três indicadores: a percepção sobre as finanças pessoais e o emprego no presente, a coragem para gastar (o chamado "índice do bolso") e a confiança na segurança do emprego. Todos esses índices registraram alta em relação ao período anterior.
Porém, o "barômetro do futuro" apresentou comportamento oposto. O Índice de Expectativas, que mede as projeções para os próximos seis meses, foi o único indicador a registrar queda, marcando 64,1 pontos em janeiro de 2026. Isso representa uma redução de 1,8 ponto em relação ao mês anterior e 0,2 ponto abaixo do registrado em janeiro de 2025.
Comportamento 'carpe diem' e diferenças geracionais
Especialistas descrevem esse cenário como um verdadeiro "carpe diem" econômico, onde o consumidor busca aproveitar o momento atual sem fazer grandes apostas no amanhã. "O brasileiro se sente mais seguro no emprego hoje e crê que sobrou um pouco mais de dinheiro no bolso agora", explica Rafael Lindemeyer, diretor sênior da Ipsos. "Por isso, a 'coragem de gastar' aumentou. É como se o consumidor dissesse: 'vou aproveitar para realizar meus planos agora, porque não sei como estará o cenário daqui a seis meses'".
A pesquisa revela diferenças marcantes entre as gerações:
- A geração Z (nascidos entre 1996 e 2010) é a mais disposta a gastar atualmente
- Entre brasileiros de até 35 anos, 61% estão otimistas quanto à possibilidade de economizar e investir no futuro
- Entre os maiores de 50 anos, o percentual cai para 47,1%, o menor índice entre todas as faixas etárias
- A geração X (nascidos entre 1965 e 1980), embora menos otimista, registrou avanço de 14 pontos na percepção de que a situação econômica é boa comparado ao ano anterior
Segurança no emprego e perspectivas futuras
O levantamento também traz dados importantes sobre a percepção de segurança no trabalho:
- Em janeiro de 2026, aproximadamente 55% dos brasileiros se sentiam mais seguros no emprego comparado aos seis meses anteriores
- 45% relataram queda na confiança quanto à estabilidade profissional
- Entre a geração Z, 62% afirmaram estar mais confiantes sobre sua situação trabalhista
- Quando questionados sobre o emprego nos próximos seis meses, 73% dos entrevistados disseram não acreditar que perderão o trabalho por causa das condições econômicas
- 27% veem essa possibilidade como realista
A pesquisa Índice de Confiança do Consumidor é realizada mensalmente pela Ipsos e investiga não apenas a percepção econômica geral, mas também a situação financeira individual, a disposição para poupar e a segurança para realizar compras ou investimentos de maior valor. As informações de janeiro foram coletadas entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, oferecendo um retrato detalhado do humor econômico do brasileiro no início do novo ano.



