O famoso leilão JBJ Ranch & Família Quartista Weekend, realizado em Nazário, no oeste de Goiás, tem movimentado milhões de reais no mercado de animais de elite. Um dos grandes destaques desta edição é o cavalo Inferno Sixty Six, que impressionou ao ter 50% do valor comercializado por R$ 44 milhões em apenas dois dias de evento.
Raça Quarto de Milha movimenta bilhões
A raça Quarto de Milha, originária dos Estados Unidos, movimenta milhões todos os anos no mercado brasileiro e no exterior. O Inferno Sixty Six tem valor avaliado em R$ 88 milhões e sua negociação já representa quase 70% do faturamento total dos três dias da edição anterior do evento, realizada em 2025, quando foram comercializados R$ 130 milhões, segundo o criador Fabrício Batista, proprietário do rancho JBJ.
Segundo informações dos organizadores do leilão, o cavalo de valorização milionária é filho de um garanhão considerado o mais jovem da história a ultrapassar a marca de US$ 5 milhões em produção. Uma linhagem que atravessa gerações e movimenta investidores do setor.
Detalhes da negociação
No perfil oficial do evento, os organizadores informaram que a aquisição do cavalo foi feita pelo Haras Frange e pela própria JBJ Ranch em 55 parcelas de R$ 800 mil.
Leilão reúne famosos e criadores do país
Em sua 5ª edição, o leilão é considerado um dos maiores do país para a categoria Quarto de Milha e segue até domingo (17). O evento recebeu visitantes ilustres, entre eles o governador em exercício Daniel Vilela e o cantor sertanejo Gusttavo Lima, que também participou com animais de seu haras. Durante o evento, Gusttavo Lima leiloou uma égua por mais de R$ 1,1 milhão e anunciou que o valor arrecadado será destinado ao Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora).
Mercado milionário da raça Quarto de Milha
Na edição de 2025, uma fêmea considerada 'super doadora' foi vendida por R$ 22 milhões, segundo os organizadores. No mesmo evento, também foram comercializados R$ 22 milhões em sêmen do garanhão Maverick, de acordo com o criador Fabrício Batista, proprietário do rancho JBJ.
O leilão reúne compradores do Brasil e do exterior interessados em genética e animais de alta performance da raça Quarto de Milha. Ao g1, o empresário explicou que o principal atrativo do mercado é o retorno financeiro, seja por meio de competições ou da reprodução. “É um mercado muito grande. São animais que estão no Brasil e vários animais que estão nos Estados Unidos”, afirmou. Segundo ele, a compra de um cavalo de elite não é apenas por status, mas sim um investimento. “As pessoas não compram um animal caro desse só para ter no haras. O objetivo é o retorno financeiro, que vem com o tempo, seja por premiações ou pela venda de descendentes”, disse.
Competições movimentam premiações milionárias
De acordo com Fabrício, as competições se concentram na modalidade de rédeas, uma das 26 categorias da raça Quarto de Milha, com prêmios que podem variar de R$ 500 mil a R$ 1 milhão. “Os animais com genética apurada são preparados para as pistas, onde os prêmios podem chegar a R$ 1 milhão. O investidor busca retorno financeiro por meio dessas vitórias”, explicou.
Reprodução impulsiona mercado
Outra frente importante é a reprodução. Investidores adquirem matrizes e garanhões de alto padrão para gerar descendentes que serão vendidos em leilões ou negociações privadas. “Embora exista paixão pela criação, nesse nível o foco é o retorno econômico”, destacou Fabrício.
Segundo o criador, o setor vai além da venda de animais e sustenta uma cadeia produtiva ampla, que inclui transporte, clínicas veterinárias, exames, nutrição animal e treinamento. No Brasil, o mercado do cavalo Quarto de Milha é estimado em R$ 30 bilhões, podendo chegar a R$ 170 bilhões nos Estados Unidos. “A movimentação envolve desde logística até turismo de negócios, com investidores de vários estados e até de fora do país”, explicou.
Conexão internacional fortalece setor
Um dos diferenciais da criação está na conexão com os Estados Unidos. O JBJ Ranch mantém uma estrutura no Texas, de onde exporta cerca de 30 cavalos por ano para o Brasil. O transporte é feito por via aérea até Campinas (SP) e, depois, para Nazário (GO). “O leilão reúne a produção brasileira e americana, com linhagens consagradas e vencedoras”, afirmou. Segundo ele, o melhoramento genético no Brasil tem atraído investidores estrangeiros, invertendo o fluxo de negócios.



