Caso Master: Mercado ignora ruído político, mas crédito e credibilidade do BC preocupam
Caso Master: Mercado ignora ruído, mas crédito e BC preocupam

Caso Master: Ruído político não abala mercado imediatamente, mas crédito e BC estão no radar

Uma pergunta tem ecoado nos corredores do mercado financeiro brasileiro: quais serão os verdadeiros efeitos do caso envolvendo o Banco Master? Até o momento, a resposta que predomina entre gestores e estrategistas é clara e direta: não há risco imediato no horizonte. Mesmo diante dos recentes desdobramentos no Supremo Tribunal Federal e do avanço das investigações da Polícia Federal, o capital continua fluindo para a Bolsa de Valores brasileira.

O Ibovespa acumula alta superior a 16% no ano e segue batendo recordes históricos, enquanto o dólar apresenta perda de força ao longo de 2025. A queda de 1,02% registrada no pregão de ontem foi interpretada pelos analistas como mera realização de lucros – um ajuste natural após uma sequência expressiva de ganhos.

O risco real: possível restrição de crédito no horizonte

Para Felipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, o episódio do Banco Master pode gerar desdobramentos significativos, mas não provoca um abalo direto e imediato no mercado financeiro como um todo. Ele destaca, contudo, um efeito colateral relevante que merece atenção: a possível restrição de crédito no sistema financeiro nacional.

O rombo bilionário no Fundo Garantidor de Créditos, que está negociando com grandes bancos para recompor suas reservas, pode apertar o acesso a financiamentos tanto para empresas quanto para pessoas físicas. “O impacto tende a ser mais percebido no crédito do que nos ativos financeiros tradicionais”, avalia o especialista, indicando que as consequências podem ser mais sentidas na economia real do que nos indicadores bursáteis.

Credibilidade do Banco Central sob escrutínio

Outro ponto sensível que emerge do caso é a credibilidade do Banco Central do Brasil. Houve críticas setoriais sobre uma suposta demora na liquidação do banco, mas, segundo Villegas, o mercado atualmente separa com clareza as funções da autoridade monetária.

Uma coisa é a fiscalização bancária, responsabilidade do BC; outra, bem diferente, é a política de juros, que segue sendo o foco principal dos investidores. Nesse contexto, o estrategista lembra o processo de reconstrução de confiança envolvendo o diretor Gabriel Galípolo, após uma decisão dividida sobre juros no final de 2024 que levantou dúvidas sobre eventual viés ideológico.

Ao longo de 2025, Galípolo teria adotado uma postura mais técnica e conservadora – talvez até “exageradamente cautelosa”, nas palavras do analista – buscando restabelecer a confiança do mercado nas decisões do Copom.

Reflexos políticos podem surgir nas eleições de 2026

No campo político, porém, o caso Banco Master pode ganhar musculatura e respingar diretamente nas eleições de 2026, especialmente à medida que novos fatos venham à tona e sejam precificados pelo mercado e pela opinião pública. A conjunção entre investigações judiciais, ações do STF e o calendário eleitoral cria um cenário de incerteza adicional.

Enquanto isso, entre ruídos políticos e incertezas regulatórias, o mercado financeiro brasileiro prefere manter os olhos voltados para frente, acompanhando indicadores econômicos fundamentais e a trajetória da taxa Selic. A separação entre política e economia, pelo menos no curto prazo, parece estar mantendo a estabilidade dos principais indicadores financeiros do país.