Ouro em alta recorde: como a valorização impacta a indústria de eletrônicos
Alta do ouro pode afetar preços de eletrônicos e joias

Ouro em alta recorde: como a valorização impacta a indústria de eletrônicos

O ouro voltou a ocupar um lugar de destaque nos mercados globais, impulsionado por um fator familiar: o medo. Em meio a crescentes incertezas econômicas e geopolíticas, investidores estão buscando refúgio no metal precioso como uma forma de proteger seus patrimônios. Para Renan Pieri, professor de economia da FGV, esse movimento vai além da mera especulação. Em um cenário mundial cada vez mais volátil, o ouro continua a desempenhar seu papel clássico: oferecer segurança quando o futuro parece incerto.

Recordes históricos e projeções ousadas

Recentemente, o ouro à vista registrou um aumento significativo de 2,2% em um único dia, alcançando a marca de US$ 5.089,78 por onça. Esse valor segue um recorde histórico de US$ 5.110,50, refletindo a intensa demanda pelo ativo. O contexto por trás dessa alta inclui tensões entre os Estados Unidos e a OTAN, particularmente em torno da Groenlândia, além de pressões inflacionárias persistentes. Esses fatores elevam a percepção de risco, levando os investidores a migrar para ativos considerados mais seguros, especialmente aqueles que oferecem uma alternativa ao dólar.

Renan Pieri é enfático ao apostar na continuidade da valorização do ouro para este ano, mesmo diante de possíveis oscilações de baixa. Ele destaca que, além de ser uma reserva de valor, o ouro é um produto essencial para diversos setores industriais. “Além de ser uma reserva de valor, é um produto em si, questão que vai obviamente afetar o setor que negocia joias e equipamentos que dependem do ouro como insumo”, conclui o especialista. Projeções de mercado indicam que o metal pode ultrapassar a barreira de US$ 6.000 por onça em 2026, reforçando sua atratividade como investimento.

Impactos práticos: além do simbolismo financeiro

O ouro não é apenas um símbolo de riqueza ou um ativo de investimento; ele desempenha um papel crucial na indústria moderna. Cerca de 78% do ouro consumido anualmente é destinado à fabricação de joias, mas seu uso industrial mais relevante está na produção de eletrônicos. Mesmo em quantidades reduzidas, o metal é indispensável devido às suas propriedades únicas:

  • É um excelente condutor elétrico, capaz de transportar pequenas correntes de tensão com eficiência.
  • Oferece alta resistência à corrosão, garantindo durabilidade em componentes sensíveis.
  • É utilizado em uma variedade de aplicações, como conectores, interruptores, soldas, fios e tiras de conexão.

Essas características tornam o ouro essencial para dispositivos como celulares, televisões, calculadoras, sistemas de GPS e computadores. Portanto, uma alta sustentada no preço do insumo pode levar a aumentos nos custos de produção e, consequentemente, nos preços finais desses produtos para os consumidores.

Reservas globais e a posição do Brasil

As reservas oficiais de ouro em todo o mundo somam mais de 33.000 toneladas, com os Estados Unidos liderando o ranking com aproximadamente 8.133 toneladas. A Alemanha e a Itália seguem na lista, com 3.350 toneladas e 2.452 toneladas, respectivamente. O Brasil mantém uma posição relevante, possuindo entre 145 e 172 toneladas, o que o coloca entre os 30 países com as maiores reservas globais.

Uma parte significativa dessas aquisições foi realizada pelo Banco Central brasileiro em 2025, como uma estratégia de proteção contra crises econômicas. Essa movimentação reforça a importância do ouro como um ativo de segurança, não apenas para investidores individuais, mas também para instituições governamentais que buscam estabilidade em tempos de turbulência.

Em resumo, a alta do ouro, impulsionada por fatores geopolíticos e econômicos, tem implicações que vão muito além dos mercados financeiros. Ela afeta diretamente setores industriais, como o de eletrônicos e joias, podendo influenciar os preços e a disponibilidade de produtos no dia a dia dos consumidores. Com projeções otimistas para os próximos anos, o metal precioso continua a ser uma peça-chave na economia global.